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Reconverter as Convertidas ou Reconverter Braga?

No passado dia 27 de novembro, a Associação Braga Mais apresentou a sua primeira iniciativa pública: o debate acerca do destino a dar à Casa das Convertidas. Mas, se até aqui se discutia qual o destino a dar ao edifício, nos últimos dias, a possível transferência da Pousada da Juventude do Convento de S. Francisco para a “Casa das Convertidas”, tem “abafado” outras alternativas menos “populares”.

Manuela Sá Fernandes
5 Dez 2012

A nova Pousada da Juventude foi “apresentada como um dos projetos emblemáticos de Braga 2012: Capital Europeia da Juventude”, seja ou não importante para a cidade. Quererá isso dizer que teremos de esperar por “Braga, Capital Europeia da Cultura” para finalmente termos um museu etnográfico?
Braga possui já uma Pousada da Juventude, diversas pensões e hotéis, logo, não será certamente por falta de alojamento que deixarão de visitar a nossa cidade. Mas, e o museu regional onde bracarenses e turistas possam conhecer as raízes, a história e os saberes tradicionais? Não existe. Propõe o Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio – já há mais de dez anos – que no edifício da “Casa das Convertidas” seja criado um centro cultural, composto por um museu etnográfico, uma área oficinal, comercial e educacional, para produção, venda e ensino de produtos artesanais próprios do Folclore; uma área de formação, ensino, estudo, investigação e animação das tradições populares; e ainda um auditório e uma biblioteca.
 Porque o Folclore é expressão mais forte da cultura popular portuguesa, principalmente no Minho, e numa altura em que se massifica e dissemina o “mau folclore” e a imprecisão nas tradições populares, urge procurar preservar para o futuro a vivência dos nossos antepassados, com o ensino à juventude de hoje e de amanhã, da cultura tradicional minhota, nomeadamente danças, cantares e instrumentos regionais (concertina, viola braguesa, violão e cavaquinho). O que teria todo o interesse uma vez que, tanto se fala em “Capital Europeia da Juventude”.
A nossa identidade cultural é constantemente relegada para segundo plano pelas entidades que mais a deveriam proteger e é notório que, numa cidade tão importante como Braga, não há qualquer estrutura-
-âncora que comporte estas valências. Parece até, que ao fim de tantos anos, ainda não aprendemos nada com os nossos vizinhos de Viana do Castelo que tão bem têm protegido, implementando e divulgado as suas tradições, promovendo o turismo através destas e, – imagine-se! – até tirando lucro das suas tradições etnográficas!
E é nesta batalha pela defesa das tradições do Baixo Minho, que o Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio tem digladiado, ano após ano, sem até hoje ver as suas aspirações finalmente atendidas. Deverá esta ser uma “batalha” só nossa ou não deverá a cidade preocupar-se também que os seus netos e bisnetos um dia saibam de onde vieram?
Estando inerente a este edifício um carácter marcadamente social, entendemos que o mesmo deve manter as suas funções e ser finalmente aberto ao povo bracarense, para que este o usufrua em pleno, coisa que não sucederá no caso da criação de uma Pousada da Juventude.
Ao contrário do que entendem alguns, é óbvio que não serão os jovens – cada vez mais com “os trocos contados” – que impulsionarão o comércio local, não da forma que o turismo talvez o possa fazer. O que facilmente se constata pela crise que afeta o setor, mesmo em ano de “Capital Europeia da Juventude”. A promoção da cidade passa pela aposta nas suas melhores qualidades, porque não aproveitamos nós a riqueza que possuímos?
Resta-nos esperar que o melhor destino seja dado ao edifício, sendo certo que há necessidades mais urgentes que deveriam ser repensadas. Se não podermos aproveitar a riqueza daquele edifício em função da cidade, que o possamos fazer noutro local mas, acima de tudo, que não seja esta iniciativa urgente, esquecida em prol de “modas” europeias.
Pousadas constroem-se em qualquer altura, sabedoria popular genuína não espera por uma “vaga”…




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