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Parlamento é mau exemplo

Não têm sido edificantes e, como tal recomendáveis, os exemplos que, vindos da Assembleia da República, frequentemente até nós chegam. Exemplos de conflitua-lidade, intolerância, oportunismo político e autarcia. Então, sempre que acontecem a apresentação e discussão do Orçamento de Estado, a peixeirada e a verborreia se instalam e daí ao insulto, apenas, um pequeno passo separa os oradores de serviço.

Dinis Salgado
5 Dez 2012

Assim aconteceu com a apresentação e discussão do Orçamento de Estado para 2013. Os partidos da oposição, longe de se mostrarem dialogantes, colaborantes e criativos, limitaram-se mais à argumentação falaciosa, à troca de acusações mútuas e ao debate simplista, em vez do confronto de ideias e discussão de princípios e objetivos.
Tempos houve, saudosos tempos, em que a Casa da Democracia, quer na 1.ª República, quer no pós-25 de Abril, palco foi de verdadeiros atos de oratória e  democraticidade. E onde as qualidades de genuínos tribunos, casos, por exemplo, de Manuel de Arriaga, António José de Almeida, Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, sempre trouxeram ao debate político, à divergência de opinião e à diversidade de ação, dignidade e grandeza.
Todavia, no atual Parlamento, difícil é encontrar um tribuno de qualidade. E ao que permanentemente o país assiste é ao lavar de roupa suja, à verborreia soez, aos erros de governação do passado e à contra-argumentação estéril, demagógica e populista. E os grupos parlamentares não curam, como deviam, de apresentar soluções e alternativas, mas, tão só, procuram expor e impor os seus programas partidários e soluções ideológicas, quase sempre inexequíveis, por extemporâneas e utópicas.
Penso mesmo que a maior parte dos atuais parlamentares não
reúne a preparação técnica e científica desejáveis para o exercício do cargo em que estão investidos. E, então, agora que o país agoniza, vergado ao peso de uma grave crise económico-financeira e social e necessário se torna uma conjugação de esforços, inteligências e vontades para a debelar, o Parlamento continua a dar-nos o mau exemplo da intolerância, radicalismo, conflitua-
lidade e autarcia e da recusa do diálogo e da busca conjunta de soluções e alternativas, em defesa e promoção do bem-estar e da felicidade do povo.
Simplesmente como se o povo que ele representa não passasse de uma mera alimária de carga, alheia aos seus propósitos e atuações. O que, na prática, enfraquece e sonega perigosamente o sentido, alcance e razão da própria democracia.
O que caso é para praguejarmos:
 – Porra, vai cá uma nortada!
Então, ate de hoje a oito.




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