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“A montanha que pariu um rato”

Constatando o atual estado de crise financeira, com todo o pânico generalizado, ansiedades e medos instalados que sufocam e abafam toda e qualquer hipótese de otimismo, verifico que todos os temas de conversa entre amigos, colegas, familiares é, invariavelmente, um futuro agonizante de morte anunciada, degradante e degradada, seco de esperança e de vontade de lutar e viver.

Maria Susana Mexia
5 Dez 2012

Todos o sentimos e vivemos no dia a dia, não podemos nem nos deixam ignorá-lo, do extrato bancário às repetidas e estafadas notícias, passando pelos repetidos e alarmantes discursos, consequência das muitas e infindáveis avaliações económicas, reuniões, cortes, recuos e falsos avanços.
Estrangulado que foi todo e qualquer tema de conversa diferente, levaram-me a incorrer num paralelismo vivido e sofrida há, relativamente, pouco tempo: “a Gripe A.”
A famigerada pandemia anunciada, essa catástrofe do século XXI, contra todas e quaisquer previsões ditas científicas, acabou como um balão que se esvaziou. A grande montanha estrategicamente montada e aplicada ”pariu um rato”, não obstante os rios de dinheiro gastos na respetiva prevenção.
Vacinas, conselhos, recomendações, histerias e outras que tais, levava-nos e ver no outro um potencial inimigo, nomeadamente se espilrasse ou se, se apresentasse um pouco fungoso. Até a Santa Hóstia, se bem estão recordados, se apresentava como uma arma mortal, pelo que o sacerdote e muitos fiéis, mais crédulos nas coisas dos homens do que nas de Deus, se recusavam a recebê-la diretamente e estendiam a sua mãozinha para comungar sem risco de contágio…
Regressados à tranquilidade dum futuro menos trágico e duma mortandade que não chegou a existir, logo se apressaram a mergulhar-
-nos noutra ainda mais alarmante: “Sua Excelência a Crise”.
Agora a prevenção foi mais certeira, surtiu efeitos diretos nos nossos ordenados, entrou sem ser convidada e foi servida de mansinho a toda a Europa, já um pouco transtornada ética e espiritualmente, já coberta das chagas da corrupção moral, como uma lepra que nos foi contagiando direta ou indiretamente, com ou sem consentimento, com ou sem a noção do mal e do bem.
Eu não acredito que os governantes, dos países ditos doentes, sejam todos pessoas irresponsáveis e incompetentes. Tenho o maior respeito pelo seu trabalho político embora, não tanto, nas competências que se esforçam por desenvolver para cobrir, remediar e tapar buracos aqui e além-fronteiras. Andam numa roda-viva de encontros, reuniões, são enxovalhados e vilipendiados, sofrendo um enorme desgaste físico e psíquico e nunca ficamos a perceber se afinal até eram honestos.
A comunicação social por sua vez explora, vende, fervilha, assola, invade. bloqueia e atrofia.
Foi então que me recordei do comportamento dos responsáveis pela saúde, do mais alto cargo ao menos importante, utentes incluídos…
Muito se empenharam, deram o seu melhor para salvaguardar a saúde da nação, também acreditaram que o perigo estava à porta e todos se envolveram numa bola de sabão…
Não sei nada de saúde, tão pouco de economia e gestão, a não ser a doméstica, mas com olho clínico não dará para perceber as origens dum tal estado de sítio?
Moral da história: uma Europa devastada de valores éticos, estéticos e religiosos, esvaída de sentido espiritual, mergulhada numa alienação de consumismo sem freio, cercada e fechada sobre si mesma, egoisticamente só, está mesmo a jeito de receber o “tsunami” da crise, cair na última armadilha que lhe foi milimetricamente preparada, algures, com mestria e requintes de malvadez…
Guerras nucleares? Terrorismo? Talibãs? Não, assética, requintada, maquiavélica e sub-repticiamente montada, aplicada com mão de mestre e servida a frio, para que não se sinta o seu odor terrificamente manobrado.
Ainda acredita que o Irão tem a bomba atómica? Bem, não vou discutir o “sexo dos anjos”, opto por uma reação mais feminina, tipo “avestruz” e refugio-me no discernimento do nosso amado poeta: Fernando Pessoa:
(…) Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças, Flores, música, o luar, e o sol que peca Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca…




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