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Para onde caminhamos nós…

Certamente que será muito importante falar em Globalização e modernidade, num contexto em que também se fala e muito, em paradigmas e parâmetros do mundo contemporâneo, que raramente inclui uma realidade que vai fazendo a diferença. Refiro-me por um lado à desindustrialização das últimas décadas numa Europa que investe e investiu, onde a mão de obra era mais barata e  daí possa resultar  mais lucro.

J. Carlos Queiroz
3 Dez 2012

Assim a globalização, no dizer de alguns, é um processo através do qual o resto do mundo se torna mais ocidentalizado, com a adoção de mercados livres, a importação de capital  ocidental, privatizações, regimes baseados no respeito pelos direitos humanos e pelas normas democráticas. Isto leva-nos a pensar também nas questões resultantes de outras questões suscitadas entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento, tendo por principal referência a disparidade nos respetivos níveis de desenvolvimento económico, sendo certo  a meta parece ser alcançar padrões  semelhantes aos ocidentais. Dito isto, vivemos num pequeno país, que se endividou à medida que procurou desenvolver políticas incompatíveis com a sua produtividade, o mesmo é dizer, investiu sem ter, não previu nunca o resultado das suas opções políticas e consequentemente os efeitos económicos. A pergunta para onde caminhamos  nós , só faz sentido se antes admitirmos  que a classe política falhou. Assistiu ao abandono da agricultura e à desindustrialização e não cuidou de limitar os gastos do Estado, trilhando um caminho errado, só podia chegar inevitavelmente a uma situação de endividamento com consequente perda de soberania e dignidade. A nossa dependência obriga-nos agora a cumprir as condições que nos são impostas. Lembro-me de ter lido uma frase de Medina Carreira a este propósito: «Batemos no fundo como era  previsível e como qualquer pessoa  que fizesse algumas contas de somar e subtrair já podia ter percebido há muitos anos que ia acontecer. O Estado português, desde sempre, desde o 25 de Abril, foi crescendo e gastando cada vez mais, dando benefícios aqui, gastando ali…». Apesar de tudo, temos de reconhecer que o Portugal de hoje é mais justo, mais igual, mais culto, mais educado e mais civilizado, ele é  fruto de uma transformação das relações sociais do país e do desenvolvimento para o Estado Social, porém  temos que refletir e agir sobre as escolhas a fazer, num contexto económico desfavorável, num tempo de confusão e muita austeridade, mesmo a nível Internacional. Para onde caminhamos nós, é apenas mais uma reflexão e um olhar, perante realidades que nos conduzem à indignação e à pobreza.




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