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Novos caminhos e meios para ‘Apostolado do mar’

Realizou-se de 19 a 23 de novembro, em Roma, na aula do Sínodo, Cidade do Vaticano, o XXIII Congresso Mundial do Apostolado do Mar, subordinado ao tema: ‘A nova evangelização no mundo marítimo – novos meios e instrumentos para a proclamação da Boa nova’. Participaram mais quatrocentas pessoas de setenta países, entre os quais Portugal, que esteve representado pelo Bispo promotor e pelo diretor nacional do Apostolado do Mar.

A. Sílvio Couto
3 Dez 2012

A presença de tantos participantes incluiu pessoas dos vários continentes: África (atlântica, mediterrânica e índica), Ásia (desde Taiwan à Tailândia, passando pelo Japão e o Vietname), América (do norte, latina e central), Oceania (Austrália e Nova Zelândia), Europa (do norte, do sul, central e de leste), envolvendo bispos promotores e diretores nacionais, membros do Conselho Pontifício, delegados, clérigos e leigos, nas várias línguas, culturas e etnias, com expressões de fé, sobretudo, católica. Foram partilhadas várias experiências do ‘Apostolado do mar’, envolvendo a marinha mercante e a pesca, numa interligação de solidariedade (comites de bem-estar, de direitos humanos, de ações de pirataria, abandono de tripulações e aprezamento de barcos), com desafios para o futuro próximo… neste mundo do trabalho e das múltiplas expressões de fé… em dinâmica de nova evangelização.

Do programa fizeram parte diversas vertentes do ‘Apostolado do mar’, desenrolando-se em cada dia um dos aspetos: a nova evangelização em geral, as relações eficazes com a indústria marítima, onde foi analisada a temática do ‘bem-estar como parte integrante da evangelização’. Um dos dias foi destinado à pesca. A questão da pirataria (com um testemunho muito vivencial) e a vertente dos navios de cruzeiro ocuparam também um dia. A encerrar o Congresso houve uma audiência com o Papa, tendo sido apresentada  uma mensagem de esperança e em confiança ao mundo marítimo.

= Ditos, fatos e números… ontem, hoje e para o futuro

Dada a riqueza de um congresso como este foi, deixamos breves referências a números que foram apresentados por vários dos oradores, citando ainda frases que nos ficaram a retinir nos ouvidos e no coração.
– Há, em todo o mundo, 36 milhões de pescadores e, em cada ano, 10% destes estão expostos a acidentes de trabalho.
– Em 2003, mais de três mil barcos foram sequestrados por piratas e, todos os dias, ainda hoje, cem mil marinheiros navegam em águas onde há piratas.
– ‘Temos de ser a voz profética dos que não têm voz’ (Bruno Ciceri, do Pontifício Conselho).
– 4 de outubro de 2020: centenário da fundação do Apostolado do mar, em Glagow, Escócia.
– ‘A pesca sofre uma das maiores explorações… Estarão os pescadores defendidos?’ (Brandt Wagner, Genebra).
– ‘Fé que se exprime com a linguagem dos nomes dos barcos… Fé que se alimenta do terrível e do fascinante… Maria e os santos [são vistos] como guardas’… dos pescadores (Dirk Demaeght, Bélgica).
– Convenção Mundial do Trabalho (MLC 2006) entra em vigor a 20 de agosto de 2013.
– Há 200 barcos de cruzeiro, ao nível mundial, que produzem 30 milhões de euros ao ano.
– ‘Cristo é maior do que a cultura [por vezes anti-cristã] e do que a Igreja’ (Hennie LaGrange, Grã-Bretanha).
– ‘A presença nos portos, as visitas quotidianas aos navios aí atracados e o acolhimento fraterno nas horas de pausa das tripulações, são o sinal visível da solicitude para com quem não pode dispor de um acompanhamento pastoral normal’ (Papa Bento XVI).
– ‘Sede o coração no mundo do mar… [apresentando] uma oportunidade de crescimento positivo’ (António Veglió, Conselho Pontifício).

Momentos como este do XXIII Congresso mundial do ‘Apostolado do mar’ fazem-nos perceber a catolicidade da Igreja e a dimensão específica desta entre cada povo e cultura… Novos caminhos se abrem!




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