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A Pessoa Humana como Manifestadora do seu Ser Profundo

O objetivo deste artigo é transitar da estrutura holística da pessoa, para a pessoa como filha e embaixatriz do seu ser profundo, nesta perturbada e caudalosa vida de todos os dias. Com base na sua estrutura, recolhi de alguns filósofos a noção de pessoa. A Bíblia refere-se à pessoa como um ser único, cuja integridade nunca poderá ser destruída e dividida. (S. Tomás de Aquino é porta-voz desta visão) Boécio diz que a pessoa é uma substância individual de natureza racional e Santo Anselmo diz que se fala da pessoa relativamente a uma natureza racional individual. Para Occam, a pessoa é uma substância inteletual completa, que não depende de outro suposto.

Benjamim Araújo
3 Dez 2012

Leibniz afirma que a palavra pessoa traz consigo a ideia de um ser pensante e inteligente, capaz de razão e reflexão. Para Kant, a pessoa é um fim em si mesmo. Para Fichte, o eu é pessoa não só por ser um centro de atividades racionais mas sobretudo por ser um centro metafísico, que se constitui a si mesmo ao pôr-se a si mesmo.
Max Scheler considera que a pessoa é a unidade de ser concreta e essencial de atos mais diversos. Já Hegel diz que a pessoa é um momento de trânsito em evolução da ideia absoluta. O dicionário André Lalande define-a como uma realidade concreta, carnal e espiritual, membro de todas as organizações, tais como família, corporação?
Outros afirmam que pessoa é um ser humano considerado como individualidade espiritual, dotado de racionalidade, consciência de si, domínio da linguagem, valor moral e capacidade para agir. Alberoni diz que a pessoa é a unidade de sentimento e de razão; é interioridade e ação. Para Carl Rogers, a pessoa é um processo no sentido de maturidade, socialização, desenvolvimento e crescimento, através da libertação.
Vou considerar, agora, a pessoa numa outra perspetiva, isto é, na sua referência à identidade do seu ser profundo. Nesta referência, vou considerá-la como embaixatriz, filha e conhecedora do ser, com a função dinâmica e imanente de se lançar, durante toda a sua vida existencial, na construção e reconstrução de relacionamentos. Estes exigem, durante a vida, um ajustamento progressivo da pessoa consigo mesma, com o mundo social e natural e com Deus.
Esta perspetiva parece-me mais ajustada à maturidade da nossa vida existencial e mais enriquecedora. A pessoa torna-se, então, perante o seu ser e perante toda a humanidade, a principal responsável pelo cumprimento ou não das suas funções. A responsabilidade é um dom imanente da pessoa, por isso não se pode ausentar dela. Relativamente aos diversos relacionamentos da pessoa, vou-a crismar, segundo as suas dinâmicas, com estas duas denominações: a pessoa como cientista e o cientista como pessoa.
 À pessoa, como cientista ou como moralista, pede-se-lhe o domínio cabal das suas dúvidas na sua especialidade. Ao cientista, ou ao moralista, como pessoa, vamos-lhe pedir que oriente, que eduque, lidere, controle e instrumentalize todas as suas especialidades em ordem à pomposa identidade do seu ser autêntico.
A educação e a gerência das nossas potencialidades devem-se subordinar às dinâmicas específicas dos seus modelos. No campo antropológico, sobretudo, temos o dever e a necessidade, de ajustarmos as nossas dinâmicas ao modelo em plenitude. É o nosso ser profundo, idêntico ao ser de Cristo feito homem, que nos impõe, através da pessoa, a necessidade e o dever de nos ajustarmos ao modelo dos modelos – Jesus Cristo.
Pede-se aos educadores e de uma maneira muito especial aos pais, que eduquem os filhos, logo a partir da tenra idade a aprender e a respeitar aquilo que constitui a verdadeira identidade do seu ser autêntico e profundo.
Creio, assim, que a maturidade do nosso mundo interior desabrochará num novo mundo social, capaz de superar os conflitos, incentivar o progresso, construir a paz, experienciar a felicidade e impor a fraternidade à humanidade.




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