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Justiça e política

Todos nos apercebemos, no dia-a-dia, da simbiose existente entre “Política e Justiça”. Parece haver muita complacência democrática para aturar e para se encobrir situações degradantes de ética, de moral, de comportamentos desviantes e de atos nebulosos no que se refere à equidade dos cidadãos perante a lei. Estes procedimentos simbióticos, bem presentes e bem marcantes na alta sociedade política nacional, só ferem a transparência, vilipendiam a verdade e desacreditam a própria justiça.

Armindo Oliveira
2 Dez 2012

É inaceitável e condenável que esta alegada promiscuidade exista e que não haja uma mão de ferro que ponha travão a este fenómeno que só desgraça a democracia e descredibiliza a classe política. Basta estar um pouco atento ao que se passa no país real para se ter a noção exata da forma como os políticos, quando apanhados em atos ilícitos, escapam habilidosamente às malhas da Justiça. Não importa se usam a dilação processual como tática, ou se aguardam simplesmente pela prescrição natural do próprio auto. São raríssimos os casos que envolvem políticos que chegam à barra dos tribunais e quando chegam o desfecho é quase sempre o mesmo: arquivado por falta de provas ou porque não houve recursos humanos e materiais suficientes para se averiguar o ilícito até às últimas consequências. E quando condenados há sempre novas instâncias para se recorrer. O país funciona desta maneira e por mais reformas que se façam no sistema judiciário nada altera esta realidade que só atira para as cadeias os mais pobres e os mais vulneráveis. A morosidade do sistema só serve de desculpa e de tampão para os prevaricadores. Quem se manobra nas teias das vigarices e da corrupção não gosta da celeridade da Justiça, porque o tempo joga sempre a seu favor e é o melhor apagador das memórias críticas. Ninguém compreende como se demora larguíssimos meses ou mesmo anos a investigar e levar a julgamento um simples caso de corrupção! Não será a corrupção a vergonha deste país e o entrave para o seu desenvolvimento? Portanto, comportemo-nos como um país decente e exijamos prioridade absoluta para se limpar este flagelo de todos os setores públicos do Estado.
Quando se ouve gente com responsabilidades no sistema governativo ou a querer candidatar-se a um mandato municipal a dizer chavões do tipo “à justiça o que é da justiça e à política o que da política” fico logo de sobreaviso que há coisa grossa na calha para ser deslindada e que, no momento, convém atirar para as calendas gregas o apuramento da verdade. Sabe o cidadão comum que este dito é uma falácia descarada e desavergonhada. Neste país, o crime ainda compensa, dado que a Justiça se põe a jeito dos mais fortes e dos mais endinheirados. Na generalidade, há uma certa impunidade para os políticos, mesmo que suspeitos ou envolvidos em atos de corrupção, de má gestão e de traficância de influências.
Compete-nos, a nós, como cidadãos de pleno direito, nos momentos eleitorais, sermos rigorosos e criteriosos na escolha dos melhores, dos mais capazes e dos mais sérios para dirigir os nossos destinos e gerir o dinheiro dos nossos impostos. Nesta matéria, ainda temos uma palavra a dizer. É preciso separar, nas urnas, o trigo do joio.




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