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“Investir, soa-nos a boa música”

Desde o Presidente da República ao Governo, todos entoam o hino ao investimento para incrementar o almejado emprego, a produtividade e o crescimento económico, a fim de nos tornarmos verdadeiramente sustentáveis. E alguma oposição, bem como os mais credenciados economistas fazem coro, numa “cantoria” que poderia ser harmoniosa, em termos de atratividade, não fosse o caso de alguns “pífaros” políticos desentoarem, sobretudo aqueles que não afinam pelo diapasão da economia de mercado em que estamos inseridos.

Narciso Mendes
1 Dez 2012

A “cantilena” vai mudando de tom, ao sabor das ideologias, gerando-se uma verdadeira “opereta” de perplexidade, quanto à captação do investimento privado para Portugal quando, por um lado, abominam os ricos e, por outro, querem que a economia o P.I.B. e o emprego cresçam. E é neste contexto, que se insere a música da “pauta” que uma central sindical vem ensaiando há cerca de quatro décadas, governe quem governar, usando sempre a mesma “cassete” de uma “cantata” em “ré menor” ofensiva contra o patronato empregador.   
Mas afinal esses, e outros senhores, que agitam profissionalmente o país, de norte a sul, com a sua “sinfónica” ideologia radical, quem quererão afinal para investir no nosso país? Os pobres, o pessoal do R.S.I., da reforma ou da baixa?   
De nada adianta procurarem “trautear” o investimento económico se, logo de seguida, tomarem atitudes como aquela com que foi contemplada a chanceler da Alemanha, quando nos visitou, em que esses “cantores”, desafinaram com o seu já gasto repertório, escorraçando os senhores do dinheiro, da sua comitiva. É que não tem préstimo nenhum, nem “musicalidade” de tom aceitável, nos tempos que correm, metermos os ricos e poderosos todos no mesmo saco, correndo o risco de deitarmos fora o menino com água do banho, isto é, subestimarmos aqueles que, de facto, nos poderão querer ajudar a criar emprego, diminuir o défice e pagarmos a dívida. 
Talvez ainda hoje estejamos, porventura, a colher os frutos de muitos erros que foram cometidos outrora, ao interrogarmos-mos sobre como foi possível a tantos empresários, que investiram no nosso país, terem aguentado “pianinho” os contratempos resultantes das lutas laborais em que se verificaram autênticas investidas sindicais às suas empresas, devido aos “hossanas” à liberdade.
Investir soa-nos a boa música, mas não nos iludamos, pois para vencermos as nossas dificuldades económicas teremos que, para além de acarinharmos o investimento, acertar o “compasso” e os “tempos” à justiça, a fim de “melodiosamente” lhe agradar e melhorarmos a nossa performance em termos burocráticos, caso contrário, pergunto: qual é o investidor que, ao ter conhecimento do caso daqueles comerciantes que, tendo sido atropelados nos seus direitos pela Casa da Música no Porto, só ao final de 11 anos vejam o tribunal dar-lhes razão, sujeita ainda a recursos por parte da condenada, não se vislumbrando para quando o seu desfecho?
E se juntarmos a esse constrangimento ao investimento, os processos parados nos gabinetes dos municípios ou os que se arrastam pelos corredores dos ministérios, da governação, à espera do “canto da sereia” das apreciações, dos pareceres técnicos, ambientais e decisões do tipo “Freeport”, haverá, porventura, algum investidor estrangeiro a querer investir neste país, ao saberem que também terão de enfrentar alguns “sopranos” da corrupção?
Sejamos claros e objectivos, pois só com o ritmo concertado, bem definido e afinado para o investimento conseguiremos cantar o “aleluia” ao fim da crise.




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