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Monstros com pele de cordeiro

Neste “palco nacional” e na hora que passa, serão poucos os que sentem alegria, convicções que elevem, enfim, esperança de uma vida normal e ânimo, para lutar-se pelo futuro a que todos têm direito e (porque não?) obrigação. A revolução de Abril de 1974 prometeu vida nova, diferente, isto é, que seriamos um povo mais admirado, respeitado e na busca do caminhar a par dos outros povos, dos outros palcos.

Artur Soares
30 Nov 2012

Todavia, pouco se fez que chamasse a atenção e o que se tem feito é copiar o mau que se fez lá fora. Melhoraram-se serviços públicos, mas aumentaram a burocracia; fizeram-se outras coisas, mas pagam-se de tudo e nunca terminam os prazos – o fim – de certos pagamentos públicos.
Recordo que foi a partir de 1975 e durante mais dez anos, que os políticos resolveram facilitar as idas às repartições de finanças, criando nas mesmas localidades mais que um serviço de finanças. E foi muito bom e a vida dos contribuintes ficou mais facilitada. Atualmente, porque chegou a crise, porque não se cobram impostos, porque fecham as empresas, porque o Estado está sem cheta nos cofres, porque alguém agasalhou “milhões de chetas”, porque criaram dívidas no estrangeiro nas costas do povo, porque os portugueses não sabem ao certo quem são os “Condes, os Marqueses e os Barões” que arrecadam o dinheiro dos impostos e quando apresentam contas dessa cobrança… vão ser fechadas repartições de finanças! Outros serviços já foram encerrados, como escolas e principalmente serviços de saúde.
Quem mandará neste país? Quem tem poder sobre nós que parecem elefantes a esmagar ratos? Que qualidade têm as algemas que nos cadeiam e são importadas donde? Porque atuam os políticos como pincéis, se curvam fora do país e sorriem prós de fora até os cantos da boca chegarem às orelhas? Onde está a maquia sugada das principais instituições nacionais e, que por isso, o povo sofre de rapacidade nos vencimentos e nas reformas?
Querem esmagar a quem trabalha e enquanto não lhes virem as tripas de fora, não largam.
E sem qualquer vergonha, sem pejo, autênticos monstros com pele de cordeiro, têm o desplante de dizer fora do país que “os portugueses são um bom povo, percebem o saque que lhes é feito, rezam diariamente para esquecer a fome e os medicamentos que não podem comprar na farmácia” e, portanto podem contar connosco”: continuaremos o programa e venham daí ao meu país – convidam – de aparência anjola mostrar a vossa pele de bons cordeiros, porque para os portugueses isso basta”.
Cortar, cortar! Parece Portugal um açougue: só com ossos expostos, o vermelho do desalento e as lágrimas da revolta.
Não fecham e pagam a fundações e observatórios duvidosos; não fecham e pagam a associações duvidosas que existem; não fecham e pagam a peso de ouro, serviços onde abundam assessores dos assessores e chefes nomeados que entraram pela surra, durante a noite: pessoas introduzidas pelo Diário da República nos serviços do Estado, que nunca passarão de mandarinetes da Lei, autênticos gastadores de tinta e do tempo que o povo paga. São amanuenses da garatuja, despidos de ideias, estéreis na execução de serviços e julgam–se depois representantes ou donos da nação. Não cortam à ausência dos amigos, primos e sobrinhos que circulam nos corredores dos serviços, onde já é necessário ter um sinaleiro para não esbarrarem devido à velocidade tartarugante que os apaixona; não cortam aos luxos que os sufocam nem cortam às comezainas dentro do Parlamento ao preço de euro e meio por cada refeição.
Ao povo corta-se e se preciso for, esventra-se. Este palco nacional, o de hoje, essa gente que nem categoria tem para chefiar uma repartição pública, faz lembrar um touro: empurram-nos para o matadouro, ou à corneada, ferem-nos.
Com as devidas exceções, todos os povos têm uma infinidade de virtudes. Mas na verdade, há povos que não são peixe nem carne e, sendo peixe, fedem pela cabeça. Tal putrefação, normalmente vem desses “condes, marqueses e barões entrincheirados” que aconselham a emigração para “cavar” e ser-se permanentemente “bom povo, compreensivo e orante”, isto é, nabos.




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