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Direitos e deveres

Mais de 50 mil portugueses manifestaram a sua insatisfação com os serviços prestados na área da saúde. No topo das reclamações estão os médicos. A cortesia está posicionada no último lugar. Os cidadãos estão mais conhecedores dos seus direitos e consequentemente mais exigentes na qualidade dos seus objetivos. No universo do descontentamento estão as instituições públicas adstritas ao Serviço Nacional de Saúde, assim como os serviços da medicina privada.

Albino Gonçalves
30 Nov 2012

A Direção Geral de Saúde está apreensiva com o aumento, não sendo ele significativo, relativamente ao ano transato. Também não vê a sua percentagem a diminuir e tudo aponta para um crescimento dos registos no “Livro Amarelo”. Reclamar é gratuito. Às vezes dá jeito saciar algumas intenções duvidosas da maledicência interiorizada no reclamante.
As reclamações dividem-se em três partes: atos de negligência, corrupção, ofensa à cidadania, quebra de deveres e princípios da disciplina, ética e deontologia profissional;
depois, os desagrados extemporâneos motivados por situações pontualmente surgidas, tempo de espera em exagero, convicção da desorganização, sentimentos de má educação, falta de zelo, incompetência e deficiência formativa, etc;
Finalmente, as reclamações insignificantes, de nulidade absoluta, claramente obstinadas ao vício abusivo de reclamar, por tudo e por nada.
O registo não credível no “livro amarelo”, circunstanciado e triado para esta última definição, devia ser taxado, como, por exemplo, acontece na Câmara Municipal de Aveiro. Reclamar sem fundamento justo paga um determinado valor taxativo, proporcionando esta medida uma noção ao reclamante de um consistente serviço envolvente e de despesas que implica o seu protesto, que vai desde a disponibilidade de recursos humanos até um conjunto de fatores de expediente, tempo e outros meios que apontem como resultado final, a transparência e o rigor na averiguação.
Ao longo do tempo, constato a alienação para as conveniências do “flagelado hino” dos seus direitos. Raramente observo a responsabilidade prática dos seus deveres.
Também, é verdade que se faz muito ruído com as reclamações por micro ocorrências, convencendo-nos que a explanação do nosso desagrado contribui para resolução das nossas pretensões.
Ora, num estudo apreciativo e metódico das causas expostas, cerca de 77% das reclamações recebidas carecem de critérios de idoneidade.
Os utentes expõem os conhecimentos dos seus direitos legitimados institucionalmente, mas raramente falam nos seus deveres. Ora, é aqui a verdadeira colisão entre estas duas partes. Enquanto não houver um respeito mútuo e simultâneo entre o direito e o dever de cada um, a reclamação será sempre um contexto eterno reivindicado por ambas as partes, isto é, não se pode exigir os direitos com a ausência dos deveres que devem estar acima de tudo para o caminho do sucesso dos direitos que são atribuídos a cada um de nós.




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