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Greve na EB 2,3 de Nogueira

Em dia de greve geral em Portugal, concertada com outros países Europeus, Braga viveu uma experiência extraordinária como certamente não acontecia desde o 25 de Abril de 1974. Na EB 2,3 de Nogueira todos os professores que, como eu, aderiram à greve, foram substituídos por outros professores, tal e qual como se a sua ausência fosse motivada por doença, acidente de viação ou gozo de um dia de férias… Por isso, o dia 14 de Novembro de 2012, repetidamente noticiado e comentado em todos os órgãos de comunicação social, devido à greve geral, foi na EB 2,3 de Nogueira, um dia de alegria no trabalho!

Susana Vieira
28 Nov 2012

Os procedimentos adotados para as substituições foram os habituais. As lições de algumas turmas em que estive ausente foram numeradas e sumariadas por um professor da mesma disciplina, garantindo o equilíbrio entre aulas previstas e dadas. O dia de escola foi normal.
De facto, esse não foi um dia normal. Na EB 2,3 de Nogueira existiam trabalhadores a exercer as suas funções, alguns terão eventualmente faltado com justificação e outros trabalhadores estavam em greve. Esta ainda é a realidade em Portugal. Não, ainda não temos outra!
Sendo assim, pergunta-se se foi de facto exercido o direito à greve pelos professores! Pergunta-se igualmente se se viu, efetivamente, respeitado esse direito, usufruindo das condições indispensáveis para a sua aplicação, para que os seus efeitos fossem notados!
 O primeiro efeito é, precisamente, a demonstração de que a função exercida por aquele trabalhador em greve é insubstituível e relevante, pelo que deve ser exercida com dignidade, para que se cumpram os objetivos daquela organização. Seguem-se todos aqueles efeitos que conduzem à discussão, ao diálogo, a um modelo de relação laboral mais justo, que fomente o progresso humano. Para isto também apela a greve, nunca há um só caminho!
No caso particular de uma escola, outras questões se levantam: a ESCOLA… lugar de ensino e de aprendizagem; lugar de exemplo e de experiência; lugar de conhecimento e de sonho; e, lugar… de futuro.
A resposta irá surgir com o blábláblá do despacho que… da orientação que… da ordem que… blábláblá…
A pergunta irá também surgir: A lei da greve? A constituição? A democracia? Como foi isto possível?
Como foi possível que uma instituição basilar da construção social moderna assumisse, desta forma, este dia? Ordens? Obediência cega? Medo? Conformismo? Desprezo? Grevistas para o canto?
A Portugal chegam ventos de mudança. Outros tantos já por cá voaram em 900 anos de história. Alguns trouxeram grandeza, progresso e liberdade, outros miséria, vergonha e mordaça. Passam por Portugal e tocarão todos os portugueses. Chegam mansos e quentes, restarão fortes e por muito tempo.
Que não se repita a tormenta !   




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