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30.º aniversário da prelatura do Opus Dei

A Igreja está a celebrar este ano o 50.º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, a 11 de outubro de 1962, convocado pelo beato João XXIII. O acervo que nos deixou é riquíssimo, mas de todos estes documentos queria salientar o Decreto Presbyterorum Ordinis, onde foi introduzida na Lei da Igreja a figura das Prelaturas pessoais para a realização de peculiares tarefas pastorais.

Maria Fernanda Barroca
28 Nov 2012

Imediatamente se viu que era a figura jurídica que correspondia ao carisma de uma realidade já então bem viva na Igreja: o Opus Dei, fundado por S. Josemaria Escrivá.
Assim, em 1969 o Papa Paulo VI, que entretanto tinha sucedido a João XXIII, recebeu a petição que São Josemaria lhe fez e autorizou-o a convocar um Congresso Geral especial que iniciasse o estudo para a transformação do Opus Dei, de acordo com a sua natureza e com as normas do Concílio Vaticano II. Com a novidade da figura jurídica e pela complexidade dos trabalhos, Deus chamou a si o Fundador do Opus Dei em 1975 sem ter podido ver esse itinerário concluído. 
Álvaro del Portillo que tinha sucedido ao Fundador, que falecera em 26 de junho de 1975, mandou à Sagrada Congregação para os Bispos, a quem o assunto pela sua natureza competia, que, depois de considerar atentamente todos os dados, tanto de direito como de facto, submetesse a exame a petição formal que tinha sido apresentada pelo Opus Dei.
Cumprindo o encargo recebido, a Sagrada Congregação examinou cuidadosamente a questão e fê-lo tomando em consideração tanto o aspecto histórico, como o jurídico e o pastoral. Afastadas todas as dúvidas foi posta em evidência a oportunidade e a utilidade da desejada transformação do Opus Dei em Prelatura pessoal.
Segundo as leis da Igreja, o Ordinário próprio é o Prelado, com eleição confirmada pelo Papa. O caso da única Prelatura pessoal até agora existente – o Opus Dei – o governo central tem sede em Roma, e a igreja prelatícia, é a de Santa Maria da Paz, onde está sepultado o Fundador e também, desde 1994, D. Álvaro del Portillo, em viale Bruno Buozzi, 75.
Hoje o Opus Dei está espalhado cada vez por mais países do mundo, onde convida todos os cristãos na vida do dia a dia a viver plenamente as exigências da fé. Para isso capacita-os doutrinal e espiritualmente, complementando a
acção das igrejas locais. Os seus fiéis continuam a ser membros das dioceses em que residem. A presença da Prelatura num mundo de grande mobilidade e multiculturalidade é mais uma das ajudas com que a Igreja se auto-organiza para responder às novas necessidades.
O Prelado do Opus Dei disse: “O fundador diante de tantos cristãos espalhados pelo mundo em cuja vida se podia dar um divórcio entre a fé e a vida pessoal concreta, feita de trabalho e ocupações terrenas, sentiu-se chamado a promover uma instituição que tivesse por fim difundir entre as pessoas que vivem no mundo uma profunda consciência do chamamento universal à santidade, que Deus lhes dirige no Baptismo”.
A santidade, portanto, não “apesar” do trabalho, mas “através” do trabalho, através do inserir-se nas realidades correntes da vida, isto constitui desde a origem o carisma da Obra.
Mais adiante da sua intervenção o Prelado disse: «(…) atribuiu-se uma importância basilar ao trabalho profissional – qualquer que seja: diante de Deus não há trabalhos relevantes nem humildes – como elemento essencial da ligação do homem com o mundo».
Em contexto do Ano da Fé, proposto por Bento XVI a toda Igreja, este aniversário recorda-nos a grande intuição do Concílio Vaticano II: o chamamento de todos os cristãos à santidade, à “medida alta” de que nos falaria mais tarde João Paulo II.




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