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Um líder embrenhado na doce ilusão

A situação social dramática que atinge o país deveria obrigar todos os dirigentes políticos a serem mais responsáveis nos atos, mais conscientes nos comportamentos e mais ponderados nas afirmações que fazem para se tentar resolver ou, pelo menos, atenuar os efeitos nefastos das medidas de austeridade que foram impostas pelos credores a este povo que, durante anos, se deixou iludir com promessas e com futilidades que só contribuíram para o descalabro e para o endividamento.

Armindo Oliveira
26 Nov 2012

Este não é, de facto, o tempo do combate político gratuito para a conquista do poder a qualquer preço. Este é o tempo da classe política despertar para a triste e gravíssima situação em que estamos metidos e empenharem-se seriamente na procura de soluções.
Passos Coelho, nesta legislatura nunca conseguirá marcar a sua posição como primeiro-ministro do XIX governo, porque toda a sua ação governativa obedece a um quadro de decisões já programadas e assumidas com orientação rigorosa, sob vigilância apurada e com avaliação periódica da Troika. Limita-se a ser, portanto, um mero executor das políticas concertadas no Memorandum de Entendimento. E esta governação encabrestada vai continuar a desenvolver-se numa linha de austeridade severa para recolocar na ordem todos os excessos cometidos ao longo destes anos de demagogia e de eleitoralismos terceiro-mundistas. É verdade que assim, também não vamos lá, nem saímos deste ciclo vicioso de mais recessão e de mais pobreza, porque a Troika, infelizmente, só conhece a maldita austeridade como estratégia para endireitar o país e para vergar este povo.
Neste processo de limpeza de mentiras e de ilusões que se aceitaram e se cristalizaram no tempo da governação socialista, por incrível que pareça, António José Seguro, líder da oposição continua a debitar um discurso perfeitamente ridículo, fantasioso e inconsequente para se resolverem os problemas gravíssimos da economia nacional. Com um olhar sempre oscilante e com uma inocência extrema no rosto, o líder dos socialistas afirma repetida e perentoriamente que o governo de Passos Coelho escolheu a agenda errada, a agenda da austeridade em vez de seguir o caminho do crescimento económico e da criação de emprego. Como é possível dizer estas coisas balofas e irreais? Até parece que António J. Seguro não sabe que quem domina este país são os donos da dívida e dos juros. Quem subjuga este povo é o grande capital estrangeiro a quem recorremos todos os dias para podermos ainda viver e o país funcionar. A falácia de Seguro não leva a lado nenhum e só serve de estímulo e de mecha incendiária aos incautos para a revolta e para as manifestaçõess violentas como tem acontecido estupidamente junto ao Parlamento. Neste linguarejar barato é preciso concretizar as ideias e dizer como o líder socialista procedia para haver o tal crescimento e a tal criação de emprego. Não se pode continuar a debitar este tipo de discursos inconsequentes, de ânimo leve, como se a solução estivesse nas palavras de circunstância e não nos atos e nas decisões acertadas que deverão ser tomadas a cada momento. De bem-falantes está o país ainda cheio há muito tempo!
Todos sabemos que António J. Seguro está a ser mordido nos cotovelos pelos seus camaradas socráticos e que António Costa está pronto a desafiá-lo para disputar a liderança do partido. Para quem sonhava ser primeiro-ministro, a sua posição como líder está seriamente comprometida. E com tais discursos a despropósito que só o descredibilizam e lhe acrescentam umas notas de imaturidade e de irresponsabilidade, o ex-jotinha vê a vida a andar para trás.
A primeira coisa que tem que fazer é assumir a sua condição de líder, depois disciplinar o partido e expurgar o veneno do Largo do Rato e finalmente exigir respeito e solidariedade institucional a todos os militantes. Feito este trabalho com eficácia e autoridade, pode pensar em assumir outros voos e outros horizontes.




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