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A Propedêutica para o Ser Transcendente

A fraternidade e a igualdade, a solidariedade, a liberdade e a responsabilidade são exigências categóricas da humanidade. Mas não basta apenas dizer que são exigências da humanidade. É necessário descobrir e investigar, através da dúvida e da crítica, o fundamento dessas exigências, tomadas na sua globalidade. O granito, consistente e duro, desse fundamento, é ôntico, é o ser objetivo e radical. É o ser que supera o físico, o tempo e o espaço.

Benjamim Araújo
26 Nov 2012

É o ser que supera o organismo biopsíquico. É o ser que está para lá da unidade inseparável do corpo e da ama. É o ser que, na sua transcendência, reclama, para si, o transcendente. É o ser que se transitiva, carinhosamente, para a vida do homem concreto a formigar loucamente pelos caminhos e veredas da sua existencialidade.
Vou debruçar-me agora, apenas sobre a liberdade.
A liberdade, no seu genuíno caráter, são as asas imponentes do condor que o transportam para os elevados cumes das mais altas e puras serras. Estes cumes são, na minha opinião, as potencialidades ativas do ser autêntico, geradoras de paz, verdade, vida, luz, beleza, sabedoria, bondade, amor.?
A liberdade, porém, durante as etapas do seu percurso através desta vida, não abdica nunca do seu nome, mesmo quando as asas do condor se enrolam e prendem, com a velocidade da faísca e o estrondo do trovão, nas redes sem aberturas, da vida de todos os dias.
Aqui, a liberdade embriaga-se e droga-se. Perde o gosto pela libertação. Adere, com satisfação, aos incentivos das suas más companhias, que a controlam, gerem e instrumentalizam.   
Algumas das más companhias dão pelo nome de utilitarismos e status social e são o poder, domínio, prestígio e fama; interesses, desejos e aspirações; dinheiro, competitividade e consumismo.
As persianas da memória, agora corridas, são um obstáculo à entrada da luz vital, que jorra do ser, aurora pura e brilhante.
A liberdade, durante a sujeição, torna-se carrasca. É uma vira casacas e retira os olhos da fonte de onde resultou.
Muitas vezes, falando com os meus botões, interrogo-me acerca da verdadeira ou não verdadeira existência de pessoas, que professam o ateísmo. Penso em tantas consciências religiosas, que se degladiam consigo mesmas e com as outras e de tanta moralidade fechada, dura, rígida e extremista. Dou-
-me conta de tanta crítica e da feia rejeição no íntimo de cada um e no seio da sociedade.
Qual é a génese de todos estes problemas? Não faltam tratados sobre isto, escritos pelos punhos inteligentes dos sociólogos, psicólogos, psicanalistas e psicoterapeutas. São testemunhados pelos diversos credos religiosos e são tantos outros que não sei mencionar.
De onde vem tudo isto? Interrogo–me e ocorre-me esta resposta:
A sua génese está no desconhecimento e na não vivência daquilo que o homem é e como é, não só na sua globalidade existencial, mas sobretudo no desconhecimento que o homem tem da órbita que o seu ser descreve à volta da sua estrela da manhã ? Deus.
Nesta linha de pensamento vou falar, singelamente, do eclipse do nosso ser autêntico, sempre emsombrado pelo prestígio espiri-
tual, que a alma conquistou, prestígio esse sublimado, após a morte, com a ressurreição e união com Deus.
O que mencionei é inédito, bem como o seguinte: com todas as recíprocas dádivas, o nosso físico traça a sua órbita à volta do organismo biopsíquico; este traça a sua órbita à volta da união inseparável do corpo e alma; esta unidade inseparável traça a sua órbita à volta da unicidade do nosso ser transcendental, formando com este um só, após a sua integração no ser; o ser transcendental movimenta-se à volta do ser transcendente, Deus, formando com Ele, após a sua ressurreição, uma unidade concreta. Aqui abre-se e floresce o Céu. Na sua ressurreição, ainda não concretizada em Deus, urtiga-nos o purgatório. A sua não ressurreição eterna, em Deus, afunda-se no poço escuro e tétrico do inferno.
Aos filósofos e teólogos, pede-se o favor de uma reconstrução da filosofia e da teologia natural, através da integração da nossa estrela polar – o Ôntico Humano – em todos os meandros da vida.




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