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Porque diminuem as Confissões?

Alguém, com responsabilidades na matéria, dizia que “as pessoas estão a fugir dos confessionários para os consultórios dos psiquiatras e dos psicólogos e que os casos de depressão estão a aumentar. Dantes, as pessoas iam-se confessar e ficavam mais tranquilas. Havia sempre um padre que as atendesse e as ouvisse.

M. Ribeiro Fernandes
25 Nov 2012

Mesmo que fosse apenas nos dias das confissões da Quaresma. Hoje, com a falta de padres e porque a confissão está desvalorizada, as pessoas raramente se confessam. E nota-se que andam mais deprimidas com estes problemas todos, recorrendo mais aos médicos e aos medicamentos. Já há casos que até confundem depressão com possessão diabólica”.

1. É uma análise interessante, mas que olha apenas para a realidade do lado de dentro, do lado institucional, mais inspirada na sobrevivência do que na análise da realidade e não do lado de fora e do lado das Ciências Humanas. É certo que todas as instituições têm tendência a acusar a realidade exterior por não colaborar com elas e esquecem-se que não existem para si, mas para aqueles a quem devem servir e que o seu referencial de normalidade é sempre a realidade. A sua recuperação, em momentos de crise, tem de nascer sempre do confronto com a realidade. De vez em quando, as instituições precisam de olhar para o lado de fora e ver se ainda são, para os outros, um sinal de serviço e de esperança. Não serem apenas um sinal de sobrevivência.
Se quiserem, a ideia do Pátio dos Gentios pode ter esse sentido. A Igreja precisa, neste momento, de refletir sobre si mesma e de ouvir a perceção dos outros a seu respeito para ver se é capaz, não apenas de ter uma nova linguagem para abordar as realidades do nosso tempo, mas sobretudo de exprimir uma nova esperança que seduza os homens do nosso tempo.

2. A este propósito, vale a pena evocar a expressão emblemática do documento conciliar “Gaudium et Spes”, quando escreveu que a força da Igreja está na sua capacidade de ser portadora da esperança para os homens do nosso tempo: “o futuro da humanidade está nas mãos daqueles que souberem dar, às gerações de amanhã, razões de viver e de esperar”. Neste caso concreto, se a Confissão não for capaz de recuperar essa aura de esperança e de reconciliação, não sei se haverá muita gente a preocupar-se com a crise que ela atravessa. 
Para ajudar a situar esta crise no nosso tempo, é importante lembrar que a Confissão nem sempre foi o que é hoje. Os próprios nomes vão mudando, desde Confissão (que é o nome mais vulgar e mais conhecido, até Sacramento da Penitência e agora Sacramento da Reconciliação: são expressões que mostram o que se pretende pôr em relevo em cada época: o acto de se confessar pecador, a necessidade de fazer penitência, o valor da reconciliação). Para evitar confusão de nomes, vamos continuar a usar aqui a expressão Confissão por ser o ato que mais significado psicológico tem neste Sacramento da Reconciliação, como agora preferem dizer.
Como sabem, até ao século III, havia apenas a penitência sacramental pública, a absolvição dos pecados era dada em cerimónia religiosa pública, em cerimónia penitencial própria ou prévia à celebração da eucaristia. Não havia confissão particular. Só a partir do século VIII a confissão particular se foi generalizando e, depois do século IX, se começou a aconselhar a confissão mais frequente. A obrigação que a Igreja impôs aos cristãos de se confessarem ao menos uma vez por ano data de 1216, a partir do Concílio de Latrão. Pelo fim da Idade Média, sabe-se que a prática da Confissão particular registava uma grande decadência. O Concílio de Trento veio repor a disciplina seguida na Idade Média e introduziu o uso obrigatório do confessionário fechado.




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