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Solenidade de Cristo Rei Universal

A Solenidade de Cristo Rei foi instituída em 1925, pelo papa Pio XI. Foi durante muito tempo celebrada no último domingo de outubro, mas agora, com a reforma litúrgica passou para o último domingo do ano litúrgico, para manifestar que Ele é o fim para o qual se devem encaminhar todas as coisas. Este ano será amanhã, dia 25.

Maria Fernanda Barroca
24 Nov 2012

Este amor a Cristo Rei sustentou os católicos durante a Guerra Civil espanhola e na perseguição aos cristãos mexicanos. Um número incontável de mártires deu a sua vida proclamando, bem alto: «Viva Cristo Rei».
Sempre que releio o livro “Manuel de Llanos” faço-o com emoção. O jovem artista espanhol – Manuel de Llanos, mais conhecido por Manolo, quando preso na Direção Geral da Segurança, repete uma e outra vez: «sim, sou católico», sabendo muito bem que estava a assinar a sua sentença de morte.
Conforme os Tribunais populares da época, foi posto em liberdade. Sai, envolto na sua capa, a pé e apressado, enquanto vai beijando o crucifixo. Ao fim de um tempo de caminho, atiram-lhe pelas costas uma bala, e mais outra e outra. Nem um grito – só os lábios colados ao crucifixo. Ao cair um miliciano com sanha, crava-lhe na boca, às coronhadas o crucifixo e ai fica no chão esvaído em sangue mais um Mártir.
Há quem diga que a «História se repete» e é verdade. Também agora, em pleno século XX e XXI há mártires que o são por confessarem o seu amor a Cristo e se o evocamos como Cristo Rei, esse epíteto não é soberba, ou desejo de mandar, mas reconhecimento de que Ele é o Senhor do Universo.
O Senhor é Rei da Verdade e isso mesmo Ele o proclamou diante de Pilatos: “Tu és Rei?” Pergunta Pilatos diante do tribunal. “Tu o dizes, eu sou Rei. Para isso é que Eu nasci e para isso é que vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a Minha voz” (Jo 18, 37).
Pilatos pergunta-lhe: “O que é a verdade?” Mas não espera a resposta. E em João, capítulo 14, versículo 6, Jesus diz: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Ser a Verdade para Jesus é ser Ele próprio o testemunho da vontade do Pai: Estabelecer no mundo o domínio da misericórdia amorosa da qual o Pai é a fonte. “Por virtude dessa vontade fomos santificados, por meio do oblação do corpo de Jesus Cristo, de uma vez para sempre” (Hb 10.10).
Já em Daniel, capítulo 17, versículo 18, podemos ler: “O seu poder é eterno e não lhe será tirado e o seu reino, um reino que não se dissolverá.
Todo povo de Deus tem, como Cristo esta realeza – o domínio do amor que transforma o mundo. O amor é a primeira e única fonte da união com Deus. Ele faz de nossos gestos de serviço aos outros, da transformação da escravidão em liberdade, um sacerdócio do povo de Deus e de cada um que santifica o universo.
Ser cristão é já colaborar na construção do reino de Cristo. E como? Com o serviço fraterno, unindo a nossa vontade à Sua e à vontade do Pai, e sabendo que «servir é reinar».
A festa de Cristo Rei, instituída por Pio XI, tinha uma finalidade político–religiosa de mostrar o senhorio de Jesus sobre o mundo, acima das situações de ateísmo e falta de religião. Esta festa foi colocada, na reforma litúrgica, no final do ano litúrgico para dar a perceber que Cristo é o centro do universo e para Ele tudo conflui.
Cristo, diante de Pilatos declara-se Rei da verdade. Ele conhece toda a Verdade, por isso dá por ela a vida. A Verdade é o desígnio do Pai de implantar no mundo o reino da misericórdia amorosa.
Todo o povo de Deus é sacerdotal, isto é, está unido a Cristo para a transformação do mundo em um mundo que sirva a Deus no culto verdadeiro que procede de um coração que ama.
Nos tempos que correm quero lembrar as palavras do Beato João Paulo II, na Exortação Apostólica Ecclésia in Europa, 28-VI-2003: «De facto, a Europa passou a formar parte daqueles lugares tradicionalmente cristãos nos quais, além de uma nova evangelização se impõe em certos casos uma primeira evangelização».




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