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Fair play desportivo, também para os “três grandes”!

Sou adepto do Sporting, o meu Pai também é!, acho que o clubismo faz parte do nosso ADN. Esta questão tem algo de hereditário. Por outro lado, como sou natural da Covilhã, acabei por ser “bem” influenciado do ponto de vista ambiental, pois em regra, os naturais desta Cidade são (ou pelo menos eram) sportinguistas. Para além destas questões, a minha cor preferida é claramente o verde! Penso que estas são as características mais comuns a todos aqueles que acabam por se tornar adeptos, simpatizantes, ou sócios de determinado clube.

23 Nov 2012

Outro fator decisivo de novas adesões afetivas aos clubes é a questão das “vitórias”, os sucessos desportivos e respetiva mediatização, nomeadamente junto das gerações mais novas. Este fator ganha atualmente mais relevância junto das crianças e jovens, gerações “mais mimadas” e que têm uma difícil convivência com o insucesso e com as respostas negativas.
Sem perder a questão clubística, nunca me esqueço de uma regra básica e que deveria estar sempre presente na cabeça de todos nós: Antes de ser adepto de um clube sou uma pessoa que gosta de desporto e que valoriza o “fair play”!. Saber ganhar e saber perder, reconhecer o mérito de quem vence e respeitar quem perde, são atitudes básicas para a elevação ética de qualquer pessoa ou sociedade que se quer evoluída em termos civilizacionais.
Por força da minha atividade profissional, estou a viver há cerca de 20 anos na região do Minho, aprendi a gostar e valorizar o trabalho e atividade de alguns clubes como o Sporting de Braga, Vitória de Guimarães, ABC, Xico Andebol, Piratas de Creixomil, Clube Náutico de Prado, entre outros, que na realidade fazem um trabalho de excelência e de referência a nível nacional. No entanto, estes mesmos clubes terão sempre alguma dificuldade em angariar mais adeptos, em se impor desportivamente de forma continuada com o objetivo de ganhar títulos nacionais nos principais escalões das suas modalidades desportivas.
Estas constatações são fruto de vários “handicaps” em termos de fair play global pelo qual se deveria regular o desporto em Portugal. Desde logo a começar pela gestão da influência política e económica em benefício dos chamados clubes grandes, nomeadamente do Benfica, Porto e Sporting, que “dita” de forma direta o tempo de antena e direitos televisivos, espaço redatorial nos jornais generalistas e diários desportivos, distribuição de apoios financeiros e materiais, etc., sem se ter em conta uma regra básica do Desporto que é “jogar com o mesmo regulamento”, com as mesmas oportunidades. Desta forma, será cada vez mais difícil para qualquer clube competir numa modalidade onde estejam presentes estes três clubes, fruto da “proteção” social de que gozam e que lhes foi conferida nos últimos 100 anos. Nas modalidades mais apreciadas pelos portugueses, nomeadamente nos desportos de equipa, temos sempre dois campeonatos a correr paralelamente, o dos “três grandes” e as restantes equipas. Isto não é bom para o Desporto e não é bom para o País!
Estes fatores, num sistema difícil de combater, tornam os nossos campeonatos pouco competitivos e desinteressantes. Existe uma grande resistência à mudança por parte dos agentes desportivos e políticos. É fundamental termos competições onde exista equilíbrio de forças, proteção à manutenção de talentos desportivos nos clubes menos apoiados, fair play financeiro, e fundamentalmente uma vontade coletiva de tornar as modalidades mais fortes e por sua vez com afirmação e sucesso no panorama internacional.




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