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A clínica do emagrecimento

“Deixem que as pessoas saibam a verdade e a nação estará segura e salva”.(Abraam Lincoln)

Uma equipa sueca realizou um estudo entre cerca de dois mil trabalhadores a fim de concluírem como estes rea-giam quanto a ordens dadas pelos seus chefes. O resultado foi geral: o coração tem alterações de ritmo quando, quem trabalha, se vê frente a chefes incompetentes, irascíveis e injustos. Também o nosso Eça de Queirós, sempre de pena a pino, escrevia em 1867: “Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade”.

Artur Soares
23 Nov 2012

E em 1891, interrogava-se: “Que fazer? Que esperar? Crédito não temos, dinheiro também não – pelo menos o Estado não tem: – e homens não os hão, ou os raros que há são postos na sombra. De sorte que esta crise me parece a pior – e sem cura”.
Barra da Costa, criminologista, afirmou em artigo publicado num jornal diário: “Portugal é hoje um paraíso criminal onde alguns inocentes imbecis se levantam para ir trabalhar, recebendo por isso dinheiro que depois lhes é roubado pelos criminosos e ajuda a pagar ordenados aos iluminados que bolsam certas leis”.
Por tudo o que atrás se afirma, temos de dar razão, infelizmente, aos corações dos trabalhadores suecos, a Eça e a Barra da Costa: a incompetência revolta e a injustiça abafa o mais indiferente.
Na verdade, Portugal, o meu país, na hora que passa e com estes ministros dos últimos dois governos, quanto a competência e a justiça social, devem ser o maior desastre de toda a nossa história, onde nos fazem caminhar para a grande clínica do emagrecimento em tudo que respeita – Portugal!
Temos o mar abandonado, que apenas (nos) serve para tomar uns banhos e pescar umas sardinhas, uma vez que não há frota pesqueira; temos a agricultura votada ao ostracismo, por inocência d’alguns, pelo oportunismo d’outros e pelo calaceirismo de muitos; não temos a fartura do dinheiro dos emigrantes, porque não confiam nos políticos, nos partidos e nas leis da roubalheira contidas nos “orçamentos de estado”; não temos um programa incentivador e convincente para o turismo, entre outros, nem temos políticos com ideias claras, profundas e inteligentes, que coloquem o povo a colaborar e a dar a “força” de que são capazes. Governam-
-nos? Não. Governam-se.
Portugal é, na hora que passa, um país que no estrangeiro provoca ironias, indiferença e onde concluem que o pior de Portugal, é falta de capacidade. Na verdade, se uma democracia avança com ilusórias políticas e por ignorantes da vida pública, surge a aversão, o lucro de ocasião, o medo do dia seguinte, o jogo escondido dos meliantes, a frieza do pensamento, que, como se sabe, é perigoso porque proporciona estômagos vazios.
Portugal tem o direito de não ter medo. Medo devem ter aqueles que jogaram o país para o caos, com o regredir da qualidade da educação; com o excesso de autoestradas e de campos de futebol; com o assalto aos dinheiros bancários que o povo não fez; com a existência de umas Forças Armadas dispendiosas e caducas; com um povo que pouco menos é que analfabeto e com doutores que, nem de longe nem de perto saem preparados para servir o país e, com canais de televisão dominados por partidos políticos, onde a submissão é notória e onde os mais altos cargos são distribuídos pela cor do cartão partidário. Logo, temos uma comunicação controlada e alienante, que não ajuda ou informa a população em aspetos importantes, tais como: quantos são os ladrões da banca; porque a justiça não julga a todos e a tempo e horas; quem criou e porquê o fosso em que se vive e quantos vão cair aos bancos dos tribunais uma vez que há legislação que prevê a existência dos corruptos e os condena.
A violência – para já, não a física – a corrupção e a opressão andam à solta por tudo quanto é canto. E a “política à portuguesa”, pelo menos destes dois últimos governos, tem sido a de subir pelos pobres acima e pelos reformados, sacando-os; são vistos os funcionários públicos como que uns recipientes onde se pode cuspir; têm aplicado a doutrina da obstinação e, disso, dão espetáculos televisivos à hora das refeições. Estes dois governos, não têm amado os pobres, têm temido e bajulado os poderosos do dinheiro e têm extorsionado os restantes. E como diz o poeta: “já é tempo de ser tempo e o tempo” é: ser-se competente e ter juízo.




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