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Saibamos fazer política

Estamos a atravessar um período muito difícil, mesmo a nível internacional e não é qualquer governo, seja qual for a força política, que facilmente soluciona esta crise. Fico aborrecido com as oposições (não estou a falar só do presente!) que garantem tudo de bom e, quando chegam ao poder, agem de uma forma totalmente oposta. Isto é perder a credibilidade, deixando os eleitores revoltados. O poder não deve ser conquistado a todo o custo, mas deve haver coerência naquilo que se promete quando se está na oposição. Culpo também, neste caso, o atual primeiro-ministro que, na oposição, fez promessas que não podia cumprir. Teria agora maior aceitação se isso não acontecesse.

Salvador Sousa
22 Nov 2012

Neste momento, a oposição deve colaborar com o Governo, unir-se no combate à crise, apresentando soluções viáveis, sem demagogia. Houve muitos gastos, no passado, que poderiam ser evitados. Para que serviram, por exemplo, os computadores “Magalhães” em que se desembolsaram centenas de milhões de euros para crianças que não tinham qualquer noção da sua utilidade? Para que foram criados tantos observatórios, institutos e fundações? Algumas delas, sem mecenas e sem património, a viverem à custa do erário público com salários milionários, com viaturas de luxo e tantas outras regalias? Para que se despenderam tantos milhões de euros em estudos de viabilidade, em comissões, para, a seguir, ficar tudo sem proveito, como foi o caso dos locais do novo aeroporto e de tantos outros que prejudicaram o Estado em quantias estrondosas? Este Governo está a trabalhar no assunto, mas deve ser rigoroso nas avaliações dessas fundações que têm absorvido muito dinheiro que podia ser canalizado para setores mais prementes da sociedade!
Toda a gente sabe que a austeridade é necessária (quem pensar o contrário engana-se!), mas são sempre os mesmos a pagar a crise. Há determinados luxos que devem ser combatidos para que se possa aliviar a carga dos impostos, a redução dos salários, o corte de prestações sociais, a diminuição do apoio à saúde e educação… São medidas que geram ainda mais recessão e, por isso, devem ser substituídas para que o poder de compra aumente, diminuam as falências e o desemprego decresça.
Há fundações de muita utilidade, pessoas que deixaram fortunas com essa finalidade, tendo em conta o bem da sociedade e essas devem ser bem acolhidas. Temos o exemplo das fundações Calouste Gulbenkian (educação, ciência, beneficência e artes); “O Século” (continuação da obra social do jornal “O Século” iniciada em 1927, desenvolvendo colónias de férias para crianças carenciadas, valências sociais com funcionamento permanente e outras intervenções sociais com um número elevado de beneficiários carenciados; Champalimaud (centro de investigação multidisciplinar, no campo das Ciências Médicas, com muito mérito) e outras que, no fundo, são um contributo para o próprio Estado, prestando um serviço de grande prestígio.
Há outros desperdícios com leis que não deviam existir, sobretudo num país com uma situação financeira preocupante. Qualquer trabalhador normal vai para o local de trabalho à sua custa, não tem viatura própria, telemóvel ou qualquer outra ajuda a não ser o salário no final do mês; não tem forças de segurança a guardarem as suas habitações ou com guarda-
-costas para todo o lado que vai. É evidente que, por exemplo, um Presidente da República que cessa as suas funções tenha, nos primeiros tempos, uma certa segurança, mas não exageremos e não queiramos ultrapassar as nossas possibilidades. Imaginemos os gastos do Estado se todos, ao longo dos tempos, usufruírem da sua segurança pessoal, do policiamento de suas casas espalhadas pelo país e de outras regalias! São luxos que não podem ser suportados por um país que é obrigado a cortar no rendimento de quem trabalha. Vamos admitir um ex-Presidente com várias habitações, quantos agentes não são necessários para uma só pessoa?
Antes de criticarmos os outros, façamos uma retrospetiva às nossas ações desempenhadas ao longo da vida.




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