Fotografia:
Dia do Pijama

A passada terça-feira foi o Dia do Pijama. Milhares de crianças foram de pijama para a escola. Com esta iniciativa pretenderam os seus autores lembrar aos mais crescidos que todas as crianças têm direito a crescerem numa família. O facto sugeriu-me as reflexões que se seguem. 1. Todas as crianças têm o direito de serem felizes, e as primeiras pessoas que devem contribuir para isso são os seus progenitores.

Silva Araújo
22 Nov 2012

Não vou, hoje, emitir um juízo sobre os diversos métodos de controlo da natalidade ou, melhor dito, de controlo da fertilidade. A verdade é que, com a informação que existe e os meios que as pessoas têm à sua disposição, penso não ser ousado afirmar que hoje só é pai/mãe quem quer.
Todavia, o ser pai/mãe não deve resultar de um entusiasmo de momento mas ser fruto de uma decisão devidamente ponderada. É o recomendado exercício da paternidade consciente e responsável.
Decidir ser pai/mãe é assumir uma responsabilidade: a de criar e educar os filhos para cujo nascimento se contribuiu. A de criar um bom ambiente a esses mesmos filhos. A de os rodear do carinho a que têm direito.
 
2. Todas as crianças têm direito a crescer numa família. E o que é uma família?
Em princípio, é uma comunidade de pessoas que se aceitam, se respeitam e se amam.
Uma comunidade (não um amontoado) de pessoas. Cada um dos elementos da família é uma pessoa e não uma coisa que outros usam ou de que outros dispõem. É um ser humano. É uma criatura de Deus, pelo batismo tornada filha sua.
Uma comunidade de pessoas que se aceitam com todas as diferenças que entre si existem. A unidade familiar há de ser construída no respeito pela legítima diversidade.
Pessoas que se aceitam, com o seu feitio, com as suas qualidades, com os seus defeitos, com a liberdade das suas opções, com as suas manias que se espera não comprometam o bom ambiente familiar.
Cada um dos membros da família não é um clone ou uma fotocópia dos outros. É um ser humano único e irrepetível.
Uma comunidade de pessoas que, reconhecendo-se diferentes e aceitando essas diferenças, se respeitam, vendo em cada uma delas o direito a um ser humano com a sua individualidade.
Uma comunidade de pessoas que, sabendo-se diferentes e aceitando essas diferenças, se respeitam, reconhecendo em cada uma delas o direito a serem elas e a citada dignidade de seres humanos e de filhos Deus.
O que leva as pessoas diferentes a aceitarem-se e respeitarem-se é o amor que as une. Amor que consiste na preocupação de procurar o bem dos outros e de contribuir para a sua felicidade.
 
3. A família tem origem no casal, e este é constituído por um homem e por uma mulher que, depois de madura reflexão, decidem partilhar a vida, caminhando lado a lado, de mãos dadas, na execução de um projeto comum.
Pessoas que, reconhecendo-se diferentes, se sabem complementares e nisso veem uma riqueza.
A decisão de viverem em comum é confirmada, para os crentes, pela celebração do sacramento do matrimónio e para os não crentes, pelo casamento civil.
 
4. Todas as crianças têm direito a crescer numa família. Essa família, em princípio, deverá ser a que as gerou.
A existência de famílias de acolhimento resulta do facto de a primeira não poder ou não querer assumir as suas responsabilidades. Então, do mal o menos. Se os verdadeiros pais, porque não podem ou porque não querem, não rodeiam a criança do carinho que lhe é devido, bom é que outros os substituam. Para bem da criança.
 
5. Que a criança, quando tiver consciência da situação, não deixe de manifestar o seu reconhecimento aos que a acolheram e lhe deram o que os pais biológicos não puderam ou não quiseram dar. Que não deixe de pagar amor com amor. Que não deixe de corresponder ao esforço que por ela fizeram e fazem.
A atitude da mesma criança, em relação aos pais biológicos, deverá ser, pelo menos, a de compreensão. Penso ser um erro fazer despertar nela sentimentos de hostilidade para com os que a geraram. Mesmo que não tenham querido saber dela.




Notícias relacionadas


Scroll Up