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O que vem antes?

Já temos escrito sobre liberdade e responsabilidade e hoje continuamos com esta questão: qual destas características do homem, a liberdade ou a responsabilidade, deve vir antes? Façamos a pergunta de modo a tornar a resposta óbvia: qual a idade mais apropriada para oferecer uma tesoura a uma criança? Quando fizer dois ou seis anos? Creio que concordamos em adiar a oferta deste presente para uma idade mais responsável.

Isabel Vasco Costa
20 Nov 2012

Todas as mães procuram afastar os filhos de perigos como o fogo, as escadas, os precipícios, os objetos cortantes, o diálogo com desconhecidos, etc. Esta atenção permanente cansa, é exigente e, apesar disso, não basta. Mais do que proteger, torna-se necessário educar os filhos na responsabilidade. Como? Fazendo-os sentir os efeitos dos seus atos. Se partiram um brinquedo, não se lhes compra outro até nova oportunidade – aniversário, Natal, prémio de boas notas…; tiveram negativa num teste, devem ficar a estudar no fim de semana; aproximar do aquecimento o bebé que começa a andar para ele sentir o incómodo do excesso de calor e dar-lhe a entender que se pode queimar, etc.
As pessoas responsáveis despertam confiança nos outros, dão-
-lhes uma sensação de segurança. As mães costumam transmitir este ambiente de paz se a casa está limpa e arrumada, se as refeições são apetitosas e servidas a horas, se consegue que a televisão esteja desligada durante as conversas familiares (ao menos ao jantar!), se é capaz de chamar a atenção com serenidade, carinho e firmeza…
Depois, de modo progressivo, vão-se permitindo “passos de liberdade” aos bebés, às crianças, aos adolescentes, aos empregados. A família e a sociedade usufruem de paz e tranquilidade se os seus elementos e cidadãos forem responsáveis, cumpridores dos seus deveres, honestos, solidários. Bem, mas a experiência diz-nos que no nosso mundo há cônjuges que não são fiéis, há pais que não se ocupam da educação dos filhos, há empresários que são desonestos e políticos corruptos. O quadro é exagerado, mas a sociedade tem soluções para resolver questões de injustiça: as leis e as penas. As leis para impor normas de conduta (desde a família, a escola, a condução automóvel, … a sociedade) e as penas para castigar os infratores. Umas e outras são necessárias desde o início da formação humana, profissional ou de cidadania. Até no desporto elas existem! São necessárias ao convívio pacífico entre homens, como é natural.
Conclusão: é forçoso formar bem, e premiar as pessoas. Formá-las para adquirirem novas capacidades físicas e espirituais, pois corpo e espírito estão intimamente ligados. Que o diga o desportista: vive a fortaleza, suportando a dor; que o diga o bom profissional: vive a honradez, sendo pontual, continuando a formar-se em congressos e cursos vários, preocupando-se com o bem-estar dos seus colegas de trabalho sendo cortês e bem humorado, por exemplo. Tudo isto se aprende sobretudo no contexto familiar para ser desenvolvido mais tarde, de modo específico e concreto, nos vários ambientes e situações onde as pessoas se relacionam.
Que felicidade é conviver com gentes que, a conselho de Santo Agostinho “amam e fazem o que quiserem”!




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