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Comportamentos de compensação (3)

6. Necessidade neurótica de prestígio. Trata-se de pes-soas que se avaliam a si mesmas em função do reconhecimento público: valorizam mais o que os outros lhe dizem do que o real conhecimento que têm do seu mérito. Se os outros lhe dizem que lhe vão erguer uma estátua, enchem-se de vaidade e ficam convencidos que são mesmo heróis, que merecem esse reconhecimento público e passam a justificar esse gesto como um ato de justiça. Assumem como seu o juízo dos outros. São muito vulneráveis à bajulação dos outros. Há tanto disto…Esta necessidade neurótica de prestígio pode surgir associada á necessidade neurótica de poder.

M. Ribeiro Fernandes
18 Nov 2012

7. Necessidade neurótica de admissão pessoal. São pessoas que se caracterizam pela vaidade, pelo desejo de serem considerados como pensam que são e não como realmente são. Estes estão no contrário dos anteriores: eles é que se julgam e não os outros. A este propósito, lembro o dito de alguém que tinha mesmo valor: “se me considero, não valho nada; mas, se me comparo…”. É destes que o povo diz que “presunção e água–benta cada um toma a que quer” (é um ditado que vem do tempo das pias de água benta, à entrada das igrejas).

8. Necessidade neurótica de realização pessoal. São pessoas que, para compensar a sua insegurança básica, procuram fazer coisas que dêem nas vistas. A área da política está cheia delas. Gostam de fazer obras desnecessárias que dêem nas vistas e consomem o dinheiro dos impostos do povo só para se reverem nelas. E passam a vida a inaugurar coisas. Muitas vezes, inauguram a mesma coisa duas e três vezes…E deixam placas com o seu nome em tudo quanto inauguram. E essa mania, que representa o vazio ideológico mais primário, continua. Ainda, há dias, numa autarquia alguém dizia que o adversário não tinha obra para mostrar. O que importa para iludir o povo é fazer obras. Se servem para alguma coisa, isso pouco importa. O que importa é que as pessoas batam palmas na inauguração e olhem para a placa com o seu nome, que dentro de pouco tempo ficará ao abandono. Depois falta o essencial para o povo? O povo é obrigado a pagar mais impostos, mais IMI? Pois que pague…
Mas, não é só na área da política. Também no campo da religião há muito disso. Fazer obras que deem nas vistas… É mais fácil fazer obras de cimento, ainda que não tenham qualquer préstimo de futuro, do que trabalhar na construção das pessoas.

9. Necessidade neurótica de auto-suficiência: são pessoas que se isolam, que se tornam solitárias, que desvalorizam as relações sociais com receio de fracassarem nas relações com os outros. Sentem receio de serem mal-amados, de não serem correspondidos.

10. Necessidade neurótica de perfeição. São os que se consideram infalíveis. Preferem julgar-se a si mesmo como infalíveis, mesmo que o não sejam, por medo de cometerem algum erro e de serem criticados. Têm medo de serem criticados, porque perderiam, a seus olhos, a imagem de perfeitos. Trata-se de uma necessidade neurótica de perfeição e não necessariamente do normal desejo de ser mais perfeito, o que não quer dizer que não possa também contribuir para isso. As coisas na natureza nunca existem em estado puro. Há casos de mulheres que se culpabilizam só para se poderem defender antes que os outros vejam os seus defeitos e as acusem.
Posteriormente, Horney resumiu estas dez necessidades em três movimentos gerais:
1.º) movimento da pessoa em direção aos outros, como, por exemplo, a necessidade de amor;
2.º) movimento da pessoa para longe dos outros, como, por exemplo, a necessidade de independência;
3.º) movimento da pessoa contra os outros, como, por exemplo, a necessidade de poder.
Cada um destes três movimentos gerais representa uma orientação básica da pessoa em relação a si e aos outros.




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