Fotografia:
Como foi possível?!

A crise severa que assola e devassa o país tem levado muitos jovens qualificados e muitos trabalhadores especializados para outros destinos, em busca de emprego e de poderem criar alguma estabilidade financeira para si e para as suas famílias. O fenómeno emigratório em grande escala que se verifica no momento só tem paralelo nas décadas de sessenta e de setenta do século passado, quando as condições de vida eram, de facto, muito austeras e complicadas. Ninguém diria que tal fenómeno viesse a acontecer de novo em Portugal.

Armindo Oliveira
18 Nov 2012

Não nos podemos esquecer que, ainda há bem pouco tempo, chegava cá gente para trabalhar vinda, praticamente, de todo o mundo, porque este país estava na moda e em franca expansão económica. Havia muito dinheiro e havia megalomanias com fartura. Havia miopia política e muita falta de discernimento. Havia imaturidade e demagogia. Havia mentiras e ilusões.
De repente, tudo se desmorona como um castelo de areia. Bastaram simplesmente 15 anos para se chegar ao estado deplorável e de descrença em que nos encontramos! Conseguimos desbaratar todo um capital de esperança e de otimismo que existia na sociedade portuguesa. A pobreza declarada e a pobreza envergonhada estão bem presentes e diante dos nossos olhos. Já são mais de 3 milhões a precisarem urgentemente de ajuda e de amparo. As Instituições de Solidariedade Social já não conseguem responder, nem suprir todas as carências e solicitações que emergem diariamente na sociedade portuguesa. Sentimos o estado de alma dos portuguese enfraquecido e completamente abalado. Como foi isto possível? Quem nos levou para a recessão e para o endividamento colossal? Quem foram os responsáveis por este estado de miséria, de dependência e de humilhação?
Os governantes dos últimos governos não foram sensatos e previdentes. Pensavam que se poderia gastar sem jeito e sem limite que os cofres nunca se esvaziariam. Administravam o país de forma incompetente e irresponsável. Fizeram-se grandes investimentos em “elefantes brancos” que hoje representam um peso desmesuradamente negativo na economia que se vê afogada em défices, em juros, em dívidas e em desemprego.
Agora, vergados pelo peso da rea-lidade, mendigamos de mão estendida a renegociação da dívida e das taxas de juros. Pedimos alargamento no tempo para se pagar o que devemos, como se isso fosse possível. Agora vociferamos contra aqueles que nos “ajudaram” e nos colocam ainda cá o dinheiro para pagar salários e para pôr o país a funcionar em marcha lenta. Agora, perdidos e à deriva, ainda ouvimos os grandes obreiros do desastre a clamar por mais Estado Social, mais Escola Pública, mais Serviço Público, mais investimento público, dando a ideia que o “público” não tem dono, nem responsabilidades.
As portas do emprego e das oportunidades estão literalmente fechadas. E é notório que a situação económica existente não vai permitir mesmo a longo prazo inverter esta terrível e dramática realidade. Sem emprego, sem expectativas, sem dinheiro e com as empresas a encerrarem em catadupa só resta a este povo zarpar para outras bandas.
Como foi possível chegarmos ao descalabro?




Notícias relacionadas


Scroll Up