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No «Ano da Fé» – Uma forma de Evangelizar (2)

No artigo anterior tentei mostrar como o Padre Michel, com o seu modo de exercer o ministério se «antecipou» às conclusões do Sínodo dos Bispos que encerrou a 28 de outubro. Outro ponto-chave para este sacerdote, foi o cuidado da liturgia e da limpeza, quer na igreja (edifício) quer nos objetos do culto.

Maria Fernanda Barroca
17 Nov 2012

Por isso, as toalhas do altar e do sacrário são de um branco imaculado. “É o pormenor que faz a diferença. Com o trabalho bem feito damos conta do amor que manifestamos às pessoas e às coisas”. De maneira taxativa assegura que “estou convicto que quando se entra numa igreja onde não está tudo impecável é impossível acreditar na presença gloriosa de Jesus”.
A liturgia torna-se o ponto central do seu ministério e muitas pessoas sentiram-se atraí-das a esta igreja pela riqueza da Celebração da Santa Missa.
 “Tenho um cuidado especial com a celebração da Santa Missa para mostrar o significado do sacrifício eucarístico e a realidade da Sua Presença”. “A vida espiri-
tual não é concebível sem a adoração do Santíssimo Sacramento e sem um ardente amor a Maria”, por isso introduziu a adoração e o terço diário, rezado por estudantes e jovens.
Outra das conclusões do Sínodo é o conselho que deixa aos formadores dos seminaristas – devem formá-los “na estética e na arte sacra e no cuidado da beleza dos lugares do culto”.
Os seus sermões são também muito aguardados e, inclusive, os paroquianos põem-nos online. Há sempre uma referência à conversão, para a salvação do homem mensagem que o Padre Michel Marie considera “uma das principais causas de indiferença religiosa que vivemos no mundo contemporâneo”. Ele acha que não se pode continuar a usar a estafada frase: “vamos todos para o Céu”. Para isso é preciso lutar – mas nisso não se fala!
Se alguma coisa distingue este sacerdote alto num bairro de maioria muçulmana é a batina, que veste sempre, e o terço nas mãos. Para ele é primordial que o padre possa ser identificado pelas pessoas. Deste modo, para o Padre Michel o sacerdote é sacerdote 24 horas por dia. “O serviço deve ser permanente. Que pensaríamos de um marido que a caminho do escritório de manhã tirasse a aliança?”.
Por último, lembra um pormenor relevante. Os regimes comunistas a primeira coisa que faziam era eliminar o traje ecle-
siástico sabendo a importância que tem para a comunicação da fé.
No entanto, a sua missão não se realiza apenas no interior do templo. É uma personalidade conhecida em todo o bairro, também pelos muçulmanos – “o Sínodo alerta para a liberdade religiosa”.Toma o pequeno-almoço nos cafés do bairro, onde conversa com os fiéis e com os que não praticam. Ele chama a isso a sua pequena capela. Assim conseguiu já que muitos vizinhos sejam agora assíduos da paróquia, e tenham convertido esta igreja de São Vicente de Paulo numa paróquia totalmente ressuscitada.As propostas fazem referência também aos cristãos não católicos (a quem o Padre Michel sempre acolheu, com compreensão), às outras religiões e aos não crentes.Como a transmissão da fé começa na família, a mensagem refere-se às pessoas que se encontram em situações familiares irregulares e recorda-
-lhes que “o amor de Deus não abandona ninguém, que a Igreja os ama e é uma casa acolhedora com todos, que continuam a ser membros da Igreja, ainda que não possam receber a absolvição sacramental nem a Eucaristia. Que as comunidades católicas estejam abertas a acompanhar a quantos vivem estas situações e facilitem caminhos de conversão e reconciliação”.




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