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A lei da adaptação (II)

A violação dos critérios racionais da adaptação leva as pessoas a ter comportamentos indesejáveis que, muitas vezes, são transmitidos aos outros, ou por doutrinação ou por imitação. Os próprios meios de comunicação social dão uma grande ajuda nesta onda de “lavagem ao cérebro”, sobretudo dos mais simples, mais incautos e mais vulneráveis.

Artur Gonçalves Fernandes
17 Nov 2012

Os seus objetivos prioritários inserem-se na conquista do topo na corrida das audiências com os seus pares, mas, infelizmente, através da difusão do sensacionalismo, do miserabilismo, de programas desmoralizantes, deprimentes e cheios de cenas chocantes em horários nobres, de debates sobre temáticas, quantas vezes, insignificantes e à mistura com atitudes insultuosas, faltas de respeito mútuo, postergando assuntos positivos e úteis à sociedade e discutidos com elevação. A concorrência chegou um tal ponto de degradação que, se compararmos as grelhas programáticas entre os vários canais televisivos, a similitude e a coincidência horária são confrangedoras. Os seus mentores planificam os programas com ideias pré-formadas que depois são veiculadas ou transmitidas fielmente sem grandes hipóteses de desvio pelos apresentadores que têm que seguir o guião à letra. Para além da falta de personalidade e de qualquer resquício de liberdade pessoal, adaptam-se todos ao ambiente dominante que é influenciado pelo lucro, pelo cachet, pelo “tacho” que se esfumará ao mínimo desvio da linha orientadora. Não há critérios racionais, sensatos ou justos. “Temos um nome genérico para os acontecimentos que se passam à nossa volta e nos afectam” – escreve Harold Fink. “Esse nome é meio ambiente. Em linhas gerais, o meio inclui qualquer influência estranha. Pode ser o estado do tempo, a casa em que vivemos, os instrumentos do nosso ofício, o vizinho do lado. Todas as coisas com as quais interferimos, ou interferem connosco, podem formar o meio ambiente.”
Na realidade, nós criamos ou controlamos o nosso próprio meio, e, por isso, em certa medida, vamos adaptar-nos a uma coisa criada por nós ou aderindo a ela quando vem do meio que nos cerca. No entanto, o principal objetivo a ter em conta na vida é dirigi-la totalmente  para o interior. O que somos, conseguimos, fazemos e colhemos livre e racionalmente é o resultado do processo seguido por nós para manufacturar o nosso caráter. O fim supremo a perseguir na vida para qualquer ser humano é procurar elaborar um esquema mental de adaptação perfeita, cuja base consiste em esforçar-se diariamente por ser capaz de enfrentar, seja o que for, ou ser capaz de conviver com qualquer género de pessoa, ladeando atritos, procurando viver harmoniosamente com ela. Isso trará benefícios para as duas partes, precisamente pela compreensão, pela aceitação do modo de ser de cada uma e pela análise da sua vida e resultados colhidos. A adaptabilidade, no sentido construtivo do termo e no sentido a que se deve dar mais importância, é a qualidade de acompanhar a vida, não investindo contra as coisas que não podemos alterar, mas alterando as que são possíveis. Tudo anda à volta da ideia básica de que cada pessoa é responsável por si própria. Aquela parte do mundo que é estúpida, imbecil e má pode rodar à volta das pessoas, levar-lhes tudo o que têm, privá-las dos seus direitos próprios, da liberdade física ou invadir a sua vida particular, mas elas continuarão a ser, se quiserem, as mesmas e a ter as coisas e os valores que possuem dentro de si, adaptando-se, de um modo adequado, a todas as circunstâncias, sem se deixar vencer, internamente, por elas. Não são os indivíduos fisicamente fortes que sobrevivem nos campos de concentração ou na arena da vida. São sempre as pessoas de grande força interior que é a almofada protetora contra os golpes da vida. Temos que fazer ajustamentos à realidade, mas nunca podemos transigir nas questões de princípios nem renegar uma verdade fundamental só para nos adaptarmos.




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