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Emoções

O jogo de futsal entre Portugal e Itália passou por todas as emoções. Apreensão, tristeza e alegria, inversas e contrastantes durante o jogo e depois no final entre vitoriosos e derrotados. Portugal fez uma primeira parte de luxo. Excelentemente conduzidos pelo Ricardinho e bem seguros nas mãos do guarda-redes, André Lima, foram capazes de alimentar o sonho de vencer, pela primeira vez na história, a Itália. Portugal esteve a ganhar 3-0 mas, o minuto 35’ mudou a história do jogo, quando a equipa transalpina começou a apostar tudo com o guarda-redes avançado.

Carlos Dias
16 Nov 2012

Depois do empate a cerca de 40 segundos do fim, o desalento e alguma frustração, apoderaram-se de alguns atletas lusos, mas ainda assim, no prolongamento, ainda foram criando mais algumas oportunidades, infrutíferas.
A derrota por 4-3 levantou alguma contestação, principalmente em algumas redes sociais, acusando a equipa portuguesa de “incompetência” na gestão do jogo. Obviamente, quem acusa desta maneira é porque não sabe, não compreende e jamais entenderá o fenómeno desportivo.
Se sofremos 3 golos em meia parte, também fomos competentes e, foi a mesma equipa que conseguiu marcar outros tantos, na primeira parte do jogo. A equipa é a mesma, os treinadores os mesmos e a postura igual. Eu não consigo conceber que se “crucifique” uma equipa, uma equipa técnica, no fundo, o País, que fez tudo para ganhar o encontro, com uma plena manifestação de crer, vontade e entrega ao jogo.
Nós, em Portugal valorizamos o produto final em vez de avaliar o processo. As modalidades coletivas como o basquetebol, andebol, voleibol, futsal, rugby, entre outras, estão sujeitas a juízos de valores tipicamente “futebolizados”: Ganham, são bestiais e perdem, são umas bestas! E o adversário? Não conta?
Quando se compete, em alto nível, temos que ser capazes de assumir os erros, de elevar as virtudes, de ocultar as lacunas e de potenciar as equipas ao máximo. Mas não podemos ter identidades diferentes. O que vale é a forma como uma equipa se entrega e se organiza. E durante uma competição, como um mundial, todos nós devemos perceber que não se podem cometer erros, mas eles acontecem, exatamente porque a massa humana comete muitos erros. Eles fazem parte e as derrotas também.
É, obviamente, doloroso perder desta forma. É frustrante, essencialmente para o grupo de trabalho, mas todas estas situações fazem parte do desporto. Eu não estaria aqui a manifestar o meu apreço pelo que a equipa de futsal produziu, se tivesse visto, como aconteceu no jogo de futebol entre o Gabão e Portugal, com alguns jogadores a “tirarem o pé”, a “fazer o frete”, a não “suarem as estopinhas” e a não dignificarem a camisola da seleção nacional que envergam. A nossa seleção de futebol foi, em termos competitivos, desrespeitadora e indigente.
Não entendo que uma seleção nacional se demita das suas responsabilidades. Mas especialmente, não entendo o que passou pela cabeça da direção federativa ao marcar um encontro, com estas características, para esta data. Já entendo que este jogo poderá ser prejudicial às pretensões do SC Braga, mas não vi, nem ouvi, ninguém a contestar esta situação. Representar a seleção deve ser um orgulho. O principal erro está na sua calendarização.
A cidade de Braga tem algumas razões para se regozijar do trabalho que está a ser realizado na equipa nacional de futsal. Pedro Dias, Jorge Braz e Pedro Palas, elementos da delegação nacional ao campeonato do mundo, são “nossos” habitantes. Têm feito um percurso competente, em várias frentes, ao nível escolar e universitário, e são, reconhecidamente, valores da modalidade de que nos devemos orgulhar e me apraz registar.

carlos.dias03@gmail.com




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