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Alta competição

O Decreto-Lei n.º 125/95, de 31 de maio, estabelece as normas e regulamentação sobre as medidas de apoio à prática desportiva de alta competição, realçando a importância do desporto de alta competição como paradigma da atividade desportiva, como tal reconhecido no artigo 15.º da Lei n.º 1/90, de 13 de janeiro (Lei de Bases do Sistema Desportivo). Ao longo da minha vida estive mais de 20 anos ligado à modalidade de Andebol e à competição da mesma tendo vivido situações que na altura ainda não estavam consignadas na lei.

Luís Covas
16 Nov 2012

Sei também que por inerência das minhas funções profissionais acompanho com frequência o que se passa no desporto universitário da academia bracarense e por tal facto permite-me poder conhecer bem o sistema desportivo universitário. Com isto quero dizer que no desporto devemos por vezes olhar para aspectos mais importantes que os resultados, os golos que se marcam, as vitórias que se alcançam ou as derrotas que se averbam. Recentemente li um artigo sobre o que se passa numa (várias) Universidade dos Estados Unidos da América, onde um professor/treinador de uma modalidade faz a ligação entre os professores e o departamento da modalidade, e essa ligação é feita com regras muito rígidas e bem definidas. Começa logo com o processo de aceitação de um jogador numa universidade, que é feito via dois caminhos, vindo diretamente do ensino secundário, onde tem que ter uma média de notas de 2,5 (numa escala de 0 a 5) ou se transferir de outra universidade, tem que ter pelo menos 24 horas de aulas concluídas, nos dois semestres anteriores. Caso estas regras não se cumpram, o atleta pode frequentar as aulas, mas não pode jogar e, em algumas universidades, pode nem treinar. Mas as regras não acabam por aqui, durante o decorrer do ano letivo/época desportiva, se o atleta não atingir as notas definidas pela instituição não poderá competir e/ou treinar, fazendo com que o atleta tenha que, não só produzir dentro do campo, como na sala de aula, fazendo questão de mostrar que o seu programa desportivo anda lado a lado com uma forte componente académica.
Outro exemplo vem da Universidade de Kentucky, campeã universitária de basquetebol, no ano passado, o seu treinador principal referia que toda a equipa tinha acabado a época passada com uma média de 3,2, em 5 valores, algo inédito e que ajuda muito a recrutar jogadores novos devido à grande importância académica dada pelo departamento de basquetebol e muito apreciado pelos pais.
Sendo assim, de 15 em 15 dias são entregues relatórios de presença de aulas e notas a cada jogador, que por sua vez têm que entregar aos seus professores para estes fazerem as avaliações, um mecanismo que agrada muito e faz os atletas perceberem que um dia, quando a prática do desporto acabar, podem ter algo para prosseguir na sua vida.
Creio ser um privilégio poder participar num sistema destes que, por alguns defeitos que possa ter, enquadra-se no desporto ao lado da escola, um ajudando o outro ou um puxando pelo outro. Será possível em Portugal começarmos a pensar em mecanismos parecidos? Claro que sim! Legislação existe mas na prática nem sempre funciona pois existem professores que não gostam muito de perder tempo a preencher relatórios para atletas, pois é trabalho extra, mas no geral todos entendem o objetivo, de modo a que mais tarde possam tornar-se melhor pessoas, mais equilibradas e com um futuro mais risonho à sua frente.




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