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É mais que urgente

Começo por recordar um soneto de António Sardinha, que não deixa de ter atualidade. 
«O céu laivou-se de clarões de guerra,
O céu cobriu-se de mortais agoiros.
Há toques de buzina sobre a serra.
Há toques longos, toques duradoiros.

 Venha uma espada p’ra guardar a terra
Antes que a onda leve os trigos loiros.
Cerra o quadrado, S. Tiago. Cerra.
Cerra o quadrado, que é sinal de moiros!

Silva Araújo
15 Nov 2012

Cerra o quadrado. Às armas, todos juntos.
Ide acordar, trombetas, os defuntos.
Ou vivo ou morto, que ninguém se fique.
 
É Portugal que está chamando a Raça.
A pé e às armas, nesta hora baça,
Que vai romper outra manhã de Ourique!»
 
Primeiro, as pessoas
 
É mais que urgente darmo-nos as mãos e colaborarmos – cada um à sua medida e dentro das suas possibilidades – na solução dos problemas do País. Para que nos não afundemos cada vez mais.
E o exemplo tem de vir dos de cima. Muito concretamente, dos senhores que da política fazem profissão.
Que demonstrem, com atos, movê-los a defesa do bem comum e não a salvaguarda de interesses pessoais ou partidários. Que mostrem  preocuparem-se mais com a busca de solução para os problemas do que com o branqueamento de comportamentos que os provocaram. Que se deixem de amuos e de teimosias e não atuem como meninos birrentos. Que se deixem de arrogâncias e de prepotências.
Que nos mostrem como o interesse nacional faz ultrapassar quezílias partidárias ou compromissos ideológicos.
Mostrem como as pessoas estão, de facto, em primeiro lugar, a começar pelos que com mais dificuldades se debatem.
Penso não exagerar se disser que os portugueses de boa vontade – poderei incluir neles os adeptos do quanto pior melhor, fomentadores de greves por quaisquer motivos e promotores de arruaças?! – não compreendem porque é que os dois maiores partidos se não entendem na defesa intransigente do que se considera ser o bem de todos, reconhecendo o que de positivo há nas posições defendidas pelo outro.
Que se consultem as pessoas que melhor podem contribuir para a solução dos nossos problemas. Mesmo que não tenham filiação partidária, já que esta pode não ser sinónimo de mais competência. Mesmo que se não encontrem nas política ativa.
Que os senhores da política atuem como quem tem a consciência de não serem as únicas cabeças pensantes do País.
Que, quando se trate de prover cargos, se escolham os que realmente forem melhores e melhores provas tenham dado.
 
A outra crise
 
Há que reconhecer que por trás da crise económico-financeira está a crise de princípios e de valores. Se não fosse esta, aquela poderia não existir ou, pelo menos, não ser tão grave. E a solução poderia ser mais facilitada.
Que a ética regresse a todos os setores da nossa vida pública. Que a honestidade seja moeda corrente. Que moeda corrente seja o respeito pela palavra dada. Que quem faz dívidas saiba que as deve pagar, e quanto mais cedo melhor.
Que se não deixe de cultivar valores fundamentais como a verdade, a justiça, o respeito pelo outro seja ele quem for.
Que mais do que servirem e do que arranjarem-se as pessoas procurem servir.
Que cada um seja responsabilizado pelos atos delituosos que porventura haja praticado, independentemente do seu estatuto económico, social ou partidário.
Que todos se sintam respeitados na sua dignidade e nos seus direitos.
Que as escolas se não limitem a ensinar mas procurem educar, para o que conta muito o exemplo de todos os que estão envolvidos no processo educativo. Que se ponha termo à prática do vale-tudo e se eduque para o correto uso da liberdade.
Que se ponha termo à destruição da família. Que deixe de haver receio em recuperar a trilogia Deus, Pátria e Família.
Que se reconheça às pessoas o direito de discordarem sem ofenderem e se fomente a prática de uma crítica construtiva que tenha em vista o bem comum.
Que se forme nos cidadãos a consciência de uma cidadania ativa, onde cada um dê o seu melhor ao serviço da comunidade.
 
Concluo, citando de novo António Sardinha:
«Voltemos à raiz! E em chão lavrado,
sobre o que houver de Portugal passado,
que Portugal de novo se edifique!»




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