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À filosofia o lugar que ela merece

Na primeira parte deste artigo vou falar da obscuridade da filosofia académica em Portugal para transmitir que em Portugal a filosofia tem vindo a perder o valor e o papel que tinha no passado na formação geral dos alunos. A disciplina de Filosofia sofreu, nos últimos anos, um revés no seu papel e função que vinha tendo no sistema de ensino Português.

Eugénio Oliveira
15 Nov 2012

A Filosofia mantinha uma relação determinante com o acesso ao ensino superior, já que era exigido o exame nacional de filosofia e definia-se por isso como uma disciplina específica de ingresso para mais de 350 cursos superiores mas que o deixou de ser na pela extinção desse exame nacional do 12.º ano.
Considero que este empobrecimento da Filosofia em Portugal e todas as medidas que têm sido tomadas superiormente provoca consequências que não são apenas administrativas mas também pedagógico-científicas, desde logo, no secundário e na articulação com o ensino superior. Sem a avaliação nacional externa haverá um empobrecimento da exigência e aprofundamento nas aulas.
José Gil considerou um “desprestígio mortífero” para a filosofia o “apagamento” a que está a ser votada nas escolas: “Os alunos deixam de ter interesse”, lamenta, avisando para o “degradar do ensino”, se os currículos diminuí-rem o papel da filosofia.
Esta desvalorização da filosofia no Ensino Secundário tem levado a que as Universidades Portuguesas que têm a Licenciatura em Filosofia deixassem de ter alunos para os referidos cursos e não havendo possibilidade aos novos licenciados de exercerem profissionalmente a filosofia pois não há vagas no Ministério da Educação para os mesmos. Assim, a filosofia académica em Portugal está a desaparecer.
A Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática tem feito um esforço de esclarecer que sem filosofia, a sociedade fica claramente mais pobre, mais utilitarista e inconsciente de si própria, incapaz de descobrir os seus próprios limites. Esta Associação considera que a limitação imposta à filosofia vai contra as finalidades da Lei de Bases do sistema educativo português, quando ela própria é a disciplina, por excelência, que cumpre e promove as finalidades gerais dessa mesma Lei, pois o seu carácter transdisciplinar e interdisciplinar é um traço configurador da sua própria identidade dinâmica e que está patente também na matriz do que é a Educação Secundária, ou seja: o desenvolvimento do raciocínio, da reflexão e da curiosidade científica; facultar aos jovens conhecimentos necessários à compreensão de manifestações estéticas e culturais, fomentar a aquisição e ampliação de um saber cada vez mais aprofundado assente no estudo, na reflexão crítica.
A APEFP, tem procurado no terreno, junto de professores e alunos saber da importância e do valor da disciplina de filosofia e verificamos que pelas suas perceções a filosofia constitui um saber e uma atitude que se projeta nas suas vidas como pessoas, como cidadãos e futuros profissionais. É necessário haver em Portugal um discernimento maior do alcance do valor formativo da filosofia, pois a finalidade educativa tem que passar pela articulação entre a vivência democrática, a prática filosófica e um trabalho exigente e de qualidade.
A Filosofia é muito mais do que ensinar um conjunto de teorias de filósofos que tiveram a sua importância no seu tempo e na história e que é essencialmente uma área muito útil para as pessoas, para o seu dia a dia e para as ajudar a lidar com os seus problemas de outra forma. Em Portugal, começa a surgir um interesse pela Filosofia Prática, uma nova versão de uma velha tradição da filosofia.
Assim, a divulgação da Filosofia para além da escola começou a ser uma realidade em vários espaços culturais: Bibliotecas; Museus; Livrarias; Cafés, etc. Nesta vertente a introdução de algumas práticas filosóficas em Portugal incutiram uma nova alma à filosofia. Estas práticas de promoção da filosofia são fundamentais para dar à filosofia o lugar que ela merece e os Workshops de Filosofia para Crianças; os Cafés Filosóficos; os Cursos de Consultoria/Assessoria Ética e Filosófica; os Workshops de Filosofia com Humor; os Seminários e Colóquios de Filosofia Prática; os Workshops de Filocinema; as Oficinas de Pensamento Crítico; os Clubes de Ética; os Gabinetes de Aconselhamento Filosófico nas escolas e os Cursos de ética empresarial vieram para ficar e só assim se poderá preservar o saber filosófico pois as entidades governamentais o não tem feito.




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