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A cidade das eiras

Há algumas décadas que Moquenco Barata preside à autarquia das Eiras. A cidade aninha-se num longo vale, emoldurada por planaltos e montes de vegetação luxuriante e variegada e a que não falta o serpentear ronceiro de um riacho de águas turvas e a monocromia bastarda do casario vário.

Dinis Salgado
14 Nov 2012

Eiras sofre de elefantíase – doença crónica caraterizada por um aumento anormal do volume de uma parte do corpo, no caso não em massa adiposa, mas em cimento, alcatrão e granito. De tal modo que Moquenco Barata se ufana de ser um autarca modelo de uma urbe, onde o acesso à habitação, própria ou arrendada, garantido está, até pelos milhares de apartamentos que fechados e devolutos restam.
Todavia, Eiras não é uma cidade pródiga na necessária e desejada qualidade de vida e equipamentos a ela imprescindíveis: espaços e zonas verdes, parques infantis e jardins, fluidez de tráfego, despoluição de espaços e paisagens e segurança de pessoas e bens. E, então, a defesa e preservação do património arquitetónico, arqueológico e cultural, não passa mesmo de uma miragem para meia dúzia de inteletuais e iluminados e de cujas intenções e objeções Moquenco Barata desconfia e desdenha, apodando-os de broeiros e cascas grossas enformados em arquitetos e arqueólogos de pacotilha.
Ora, estes lhe respondem que se ele, Moquenco Barata, não sabe, devia saber que os homens que governam as cidades de hoje têm de pensar mais nas pessoas que as habitam e menos nos interesses político partidários e imobiliá-rios bem como na ocupação desordenada e selvagem de solos e paisagens. Depois, as multifunções de qualquer cidade moderna centram-se fundamentalmente na segurança, emprego, cultura, ambiente, educação, saúde, lazer, desporto, turismo e urbanismo. E todas estas sinergias se devem interligar e agirem como peças essenciais da mesma engrenagem a que a douta mão do homem imprimir deve movimento, coordenação e ação.
Ademais, garantem, construir uma cidade verdadeiramente educadora e usufruir melhor os seus equipamentos e território, exige antes de mais: o aproveitamento energético universal e rigoroso, a proliferação de espaços verdes e de lazer, a harmonização entre desenvolvimento, crescimento e qualidade de vida, o uso de energias alternativas e limpas e permanente fluidez na circulação de pessoas e bens. Mormente, dos bens patrimoniais e culturais.
Por isso, qualquer autarca, qualquer Moquenco Barata, para além de uma sólida formação em finanças, gestão e sociologia, deve possuir aprofundados conhecimentos nas áreas do ambiente, urbanismo e qualidade de vida. Só deste modo pode ser garantido aos cidadãos um serviço público digno, notório e qualificado e que não é obviamente, asseveram, aquele que a dita autarquia das Eiras garante.
O que caso é para praguejarmos:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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