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Os pais, os avós e os bisavós da Crise

1 Muitas pessoas ainda não reconhecem a paternidade da crise). Há uns meros 3 ou 4 anos atrás, ninguém adivinharia. Hoje porém, fruto da nossa enorme dívida, os bancos estrangeiros recusam continuar a financiar-nos como antes. E a crise económica toca-nos a todos, pobres e ricos. Aos primeiros, é pelos despedimentos, corte nos salários e pensões e pelo desemprego duradouro. Já aos ricos, toca sobretudo pelo brutal aumento das taxas e impostos.

Eduardo Tomás Alves
13 Nov 2012

Surpreendente é, porém, que haja uma quantidade de pessoas que se recusem a ver a evidência; isto é, que o principal responsável pelo atual estado comatoso das nossas finanças é José Sócrates, o anterior 1.º ministro. O qual se deu ao luxo de, com o dinheiro que não tinha, criar uma verdadeira “manada de caríssimos elefantes brancos”, entre auto-estradas, barragens, parques escolares e parques eólicos, “magalhães”… Já para não falar do famoso TGV e doutro aeroporto para Lisboa. Essas tais pessoas dizem que a crise é, por igual, “dos sucessivos governos democráticos”. Dizer isto é desculpabilizar Sócrates e isso não é correcto.
2 – Sócrates é o “pai da Crise” pois duplicou a Dívida Pública em 6 anos). É conhecida a falta de jeito dos portugueses para a Matemática. Daí que muitos tendam a pôr todos os governos anteriores “no mesmo saco”, por não se aperceberem da enormidade que é em 6 anos se duplicar a Dívida Pública de um país. Para mais ele duplicou-a fazendo obras com frequência desnecessárias e altamente destruidoras do património natural (e irreversíveis). É curioso que a sua “boutade” de Paris (que alguém gravou sem ele saber, quando falava com estudantes) em que dizia que “as dívidas dos Estados não se pagam”, tinha algum fundo de verdade. Elas não se pagam na totalidade, vão-se pagando. Só que Sócrates pretendeu mesmo ser literal. Por outro lado a inclinação do PS para o despesismo e as más contas é antiga. Basta lembrar o resgate no tempo de Mário Soares. Ou sobretudo os estádios, a Expo e a ponte Vasco da Gama (com Guterres). Ou o caríssimo projeto abortado da “frente ribeirinha” de António Costa, o hindustânico autarca que tomou Lisboa com 29% dos votos (e que foi ministro de Sócrates).
3 – Cavaco Silva como involuntário “avô da Crise”). O antigo 1.º ministro Cavaco Silva, homem de boas contas, começou como social-democrata e acabou como liberal. Viveu numa época de prosperidade e esperanças (sobretudo com as ajudas a fundo perdido da CEE). As auto-estradas que fez eram necessárias e não se endividou. Porém, assinou Maastricht em 1992, com o que, sem o saber, se transformou em “avô da crise”. Já agora, os outros que assinaram foram Soares  (pres. da República), J. Deus Pinheiro (min. dos Estrangeiros) e Durão Barroso (secretário dessa pasta). Depois de Maastricht, Portugal deixou de ter moeda (que tanta falta faz agora para ser emitida ou desvalorizada); de ter alfândegas e impostos sobre produtos importados; destruiu boa parte da agricultura, das pescas e das indústrias; e cedeu parte da soberania.
4 – Os “bisavós da Crise”). Nesta categoria se deverão incluir muitos dos militares e políticos da revolução de Abril de 74 (mas deles excluo expressamente os presidentes Spínola e Ramalho Eanes e o 1.º ministro Sá Carneiro). Por que contribuiram para a Crise? Porque não souberam conservar o Império Colonial. Nem que não fosse através da simples garantia da manutenção, em Angola e Moçambique, do quase 1 milhão de lusos que para lá tinha ido viver. A falta que o petróleo, o café e os diamantes de Angola nos fazem agora…E alguma vez faríamos auto-estradas tolas e barragens impactantes em Portugal, se as pudéssemos fazer na imensa África? Portugal nunca viveu sem colónias ou sem subsídios. Não é agora que irá acontecer. Bisavôs da Crise serão pois Soares, Cunhal e Rosa Coutinho.
5 – Os “trisavós” e para trás). Os trisavós são os principais políticos da 1.ª República (1910-26), que nos meteu na 1.ª Guerra Mundial, nos levou à banca rota e fomentou a completa desordem social. Escolho Afonso Costa, Bernardino Machado e Magalhães Lima. O pai dum trisavô é um tetravô (ou tataravô), no nosso caso o rei D. Pedro IV, que em 1822 nos tirou o Brasil e o entregou aos brasileiros (e muitos destes nem queriam…). D. Pedro, que entrou para a Maçonaria meses antes do “grito do Ipiranga” era filho espiritual do marquês de Pombal, que será o 5.º avô da nossa crise. E por aí fora…
6 – Importamos 80% do que comemos e já não fazemos moeda). Entramos para a Europa a pensar que íamos ter carros por metade do preço, casaríamos com as inglesas e viajaríamos sem passaporte. Só que não foi bem assim. E na altura tínhamos moeda e produzíamos 60% do que comíamos. É preciso cautela com o futuro e nunca confiar em estranhos…




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