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O enigma…

Por muita vontade política que mostrem os nossos governantes, parece que escolheram mal as soluções para o país ou pelo menos erraram no tempo e na estratégia. Por estes dias, tudo tem servido para discutir o orçamento de Estado e a destruição ou não do Estado Social, que é o garante da estabilidade ainda existente.

J. Carlos Queiroz
13 Nov 2012

Podem os governantes retirar regalias aqui ou ali, tentar retirar direitos aos trabalhadores das empresas públicas ou até sugerir que os funcionários dessas empresas ganham como príncipes, porque a verdadeira razão do endividamento dessas empresas  continuará ausente do diálogo ou da discussão em volta do serviço público que pretendemos ter e dos seus custos.
Quem se lembrar do que foi o período de gestão da Linha da Sociedade Estoril… certamente entenderá melhor o significado e consequências duma gestão privada  em linhas ou troços ferroviários.
Assim, as questões suscitadas em torno das empresas públicas são sempre uma incógnita e devem merecer sempre, uma análise serena e prudente tendo em conta as consequências e os efeitos das mudanças, num contexto muito mais abrangente que o da própria empresa.
Também a propósito de vencimentos tenho uma opinião porventura diferente da que tem sido  transmitida e publicitada… os sindicatos lutam sempre pela melhoria de condições e salário dos seus sócios e apenas admitem prémios ou outros direitos, quando de todo a entidade empregadora  nega aumentos salariais, era assim no passado e julgo será ainda no presente.
O enigma é o próximo ano e o estado que realmente vamos ter! Quais as consequências económicas para as famílias depois do endurecimento das medidas de austeridade? Como vamos ter capacidade para gerir um Estado social, perante tantas  limitações económicas e com um desemprego assustador?
É difícil falar em democracia e estabilidade social quando falta o essencial à subsistência das pessoas, e também aí reside um enigma quanto aos limites para uma tolerância aceitável  da austeridade.
O perigo da instabilidade social existe e tentar ignorá-lo pode ser um grande erro.
Portugal tem uma história e já venceu outras crises, porém sempre foi com trabalho e solidariedade e nunca apenas com austeridade.
Oxalá os sinais e mensagem do ministro da Economia, se tornem rapidamente em realidades  capazes de mudar o rumo do desemprego no país.
Que o enigma do resultado de um orçamento austero seja  rapidamente esclarecido e os portugueses possam respirar e caminhar com tranquilidade  no próximo ano, mesmo sabendo que todos os anos o orçamento continuará a ser um verdadeiro enigma…




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