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Conquista…

Não foi a essência de um olhar naquela noite, não foi o suor que caiu do rosto daquela pessoa e da outra, foi somente a vontade de conquistar. “Lutaremos contra a espada e venceremos contra a morte”. Palavras que os inimigos dizem. “Lutámos com vontade para recuperarmos o que era nosso, das gerações anteriores.

André Araújo
13 Nov 2012

Conquistámos o Algarve, porque aquela terra e aquela areia era nossa por amor”. “Por que perdemos agora o sorriso e deixamos as terras?” A virtude do olhar é igual à vontade de conquistar o que hoje o povo moribundo deixa escapar. Já não existem odes, nem pessoas que as escrevam. Hoje, as pessoas divertem-se a conquistar o que já foi conquistado sem deixar a sua marca, porque afinal aquilo que era do outro é nosso por mal direito.
Antigamente percorriam-se vales e montanhas com a força de conquistar mais valor dentro da sociedade, hoje pisamos pessoas e magoamos outras pessoas só por puro egoísmo. Será esta a verdadeira conquista? No passado, a conquista era saboreada com esperança e com amor. Hoje, é saboreada com dinheiro que nunca foi nosso por direito. Agora não existem linhas para escrever o nome do rei que ajudou na conquista. Agora existem buracos que um ou outro deixou ficar. E por que é que nós, povo que gloriosamente se apelidava de conquistador, se deixou afundar no mar? Já não basta dizer: “eu tenho”, mas sim “quero ter”, porque muitos dizem: “eu tenho”, mas  muitos mais dizem: “eu quero ter, mas nunca poderei ter”. Onde estão aquelas odes que residiam dentro de caixas fortes protegidas dos ladrões? Onde está aquela vontade protegida numa palavra que mal saía da boca sem parar? Nada se fez. Ficamos passivos. Cada um vive o que tem que viver e conquista o que quer para si. Agora a ode só interessa a quem tem um coração verdadeiro, só esses conseguirão ler verdadeiramente esta ode.
Andar pelos passeios é desconfiar da saudade e andar pela estrada é desafiar o perigo. Hoje, já não existe um sonho. Vivemos num campo onde a terra já foi mais que lavrada, derrubada pelos muros da tristeza. Aqui não se chora, aqui não se olha para o outro. No passado, havia choro, pouca comida, poucos sonhos, mas havia esperança; agora não há comida para os pobres, não há sonhos, e aqueles que ainda têm esperança são o futuro. Assim falou a ode da alma na vontade da conquista…




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