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Para quando um Museu Virtual de Braga?

Atualmente já ninguém tem dúvidas: Braga possui uma das mais ricas e belas histórias da Península Ibérica. A importância que lhe foi atribuída pelos Romanos, a relevância que teve no período da formação de Portugal, a progressiva grandeza que lhe foi impregnada durante séculos pelos “Senhores de Braga” e o rápido progresso que vem tendo desde 1792 – proporcionam à urbe bracarense tão dourados pergaminhos que poucas rivalizam com ela neste particular.

Victor Blanco de Vasconcelos
12 Nov 2012

Braga é, pois, uma cidade de imperecíveis memórias e senhora de um espólio cultural vastíssimo. Mas, infelizmente para todos nós – bracarenses e não só – não tem existido uma política consertada de divulgação desse património.
É verdade que, nas últimas décadas, tem havido um escol de pessoas singulares e coletivas que meritoriamente se tem empenhado (e muito) nessa divulgação. No caso concreto das segundas, destaco a Igreja Bracarense (que, nos últimos anos, tem aberto largos horizontes nesta área), as universidades e os vários museus radicados em Braga (que têm dado passos de gigante nesse propósito) e algumas associações “civis” de cidadãos empenhados na defesa do património bracarense (que têm contribuí-do sobremaneira para a preservação e para a divulgação dessa riqueza histórica, como é o caso da ASPA, da JovemCoop, da recém-
-criada Braga+, etc.).
Todavia, essas pessoas singulares e coletivas, embora desenvolvam um trabalho extremamente meritório, fazem-no de maneira “dispersa”: cada uma preserva e divulga o espólio histórico-cultural de forma estanque, à sua maneira, nos seus espaços físicos e virtuais, com os seus técnicos, meios, metodologias e instrumentos próprios. E esta “dispersão” acaba por dificultar imenso o acesso do cidadão-comum (e especialmente as novas gerações) ao contacto com a globalidade do espólio cultural bracarense e com os elementos histórico-interpretativos que lhe dão sentido.
Ora, as novas tecnologias permitem que se faça, neste âmbito, um trabalho mais “integrado”, partilhado e profícuo. E através de uma plataforma virtual, qualquer cidadão deveria poder aceder a um “Museu Virtual de Braga” que lhe permitisse um imediato contacto com todo o espólio histórico-cultural da cidade, devidamente catalogado e interpretado, sem prescindir da indicação do espaço físico onde esse espólio pudesse ser apreciado “in loco”.

As novas gerações, afeitas ao universo digital, afastar-se-ão cada vez mais da história de Braga se não houver quem lhes disponibilize um “museu integrado” desta natureza. Pelo que não podemos deixar fugir a oportunidade ou virar a cara ao “desafio” que o futuro virtual nos lança. Até porque – como escreveu Karl Jaspers na sua “Iniciação Filosófica” – “nenhuma realidade é mais essencial para a nossa autocertificação do que a história, porque é ela quem nos mostra o mais largo horizonte da humanidade, é ela quem nos oferece os conteúdos que fundamentam a nossa vida, é ela quem nos indica os critérios para avaliação do presente”.




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