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Livros sobre Braga

Poeta, Maria do Rosário Pedreira é, talvez, mais conhecida pelo empenho que, enquanto editora, tem colocado na descoberta e divulgação de novos autores portugueses. Os livros são o tema principal daquilo que escreve no blogue “Horas extraordinárias. As horas que passamos a ler”. Foi nele que Maria do Rosário Pedreira publicou um breve texto, muito elogioso, sobre uma recente passagem por Braga. Entre as referências simpáticas, encontrava-se uma relativa a “uma colecção de obras dedicadas à cidade de Braga”, intitulada Braga Cidade Bimilenar.

Eduardo Jorge Madureira Lopes
11 Nov 2012

A editora diz que lhe foram oferecidos dois volumes, qualificando-os, a seguir, como “pérolas de um bom gosto extraordinário e muito curiosas”. Conta Maria do Rosário Pedreira: “O primeiro era um diário gráfico da autoria de Eduardo Salavisa, um roteiro da cidade através de desenhos lindíssimos; o segundo, uma colecção de rótulos das marcas de sabonetes e outros produtos da fábrica Confiança, muitos dos quais ainda me lembro de ver em casa dos meus pais, impressos com uma qualidade que é raro encontrar em livrinhos desta natureza”.

Nem todos olham, evidentemente, com idêntica generosidade para essa colecção que se deve, sobretudo, ao empenho de Maria do Céu Sousa Fernandes em garantir que, todos os anos, este rol de obras sobre Braga e arredores aumente. Não só há quem não olhe com apreço algum para um trabalho que tem colocado à disposição de todos um património de textos e de imagens sobre a cidade, como há quem nem sequer para ele olhe. Mas não saber ou não querer saber da sua existência, não é, convenhamos, tarefa fácil, pois, para tal, impõe-se que nunca se entre numa livraria.

A mais recente razão para esta conversa ser para aqui chamada foi a publicação de um texto, há dias, num blogue bracarense, em que o autor lamenta o marasmo cultural relativo à edição de livros sobre Braga, que se terá acen-
tuado desde que, na cidade, encerraram as livrarias Pax e Cruz e a APPACDM deixou de ser dirigida por Félix Ribeiro. E o marasmo só não seria total porque, acrescenta o autor da prosa, a Câmara Municipal apoia a edição de algumas obras e a Universidade do Minho, através do Instituto de Ciências Sociais, vai publicando alguma coisa.

Sobre a colecção Braga Cidade Bimilenar, nem uma palavra. Um tal silêncio é compreensível se se der o caso de quem o faz não entrar em livrarias – Bracara, Bertrand, Centésima Página, CulturMinho, Diário do Minho, Minho ou Oswaldo Sá, por exemplo – para uma, ainda que breve, espreitadela aos expositores ou às estantes. É certo que lhe não teria sido possível fo-
lhear uma boa e grande parte dos volumes da colecção por se encontrarem esgotados, mas conseguiria descobrir os mais recentes, onde, nas páginas finais, aparece a lista completa das obras até agora editadas.

São quarenta e quatro. Podiam ser muitas mais. Mas, mesmo assim, talvez não mereça ser desprezado o número e a relevância desses livros que dão a saber como Braga foi sendo vista ao longo de séculos; que ajudam a conhecer a Braga que se encontra nas páginas de autores como, por exemplo, João Aguiar, Fialho de Almeida, Maria Ondina Braga, Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis, Antero de Figueiredo, Arnaldo Gama, Alexandre Herculano, José Manuel Mendes, Ramalho Ortigão, Luiz Pacheco, Manuel Teixeira-Gomes, Altino do Tojal, Luís Forjaz Trigueiros; que nos informam sobre as impressões que, da cidade, retiveram estrangeiros como Arthur William Costigan, Felix Lichnowsky ou Miguel de Unamuno; que nos apresentam imagens únicas, fotografadas ou desenhadas por José Delgado, Cristóvam Dias, Eduardo Salavisa ou José Veiga.

A lista inclui obras de natureza muito variada: um conjunto de desenhos feitos por crianças dos monumentos bracarenses; uma recolha de pagelas que se podem encontrar em igrejas da cidade; um relato jornalístico da visita de
D. Manuel II à capital do Minho; ou um dos raros livros sobre Braga, de A. Ménici Malheiro, incluído na lista de obras proibidas antes de 25 de Abril de 1974. A colecção tornou também acessíveis os Pensamentos de S. Martinho de Dume, coligidos por Pio G. Alves de Sousa e as Crónicas bracarenses de Rafael Bordalo Pinheiro, estudadas por Maria Virgílio Cambraia Lopes. Na listagem, que fica incompleta, insere-se ainda a reprodução de guias de Braga publicados em diversos séculos.

Entre 2000 e o ano passado (este ano não houve qualquer publicação), foram publicados, em média, quatro livros por ano. No blogue bracarense referido, notava-se que o candidato do maior partido da oposição à presidência do município tinha anunciado, há pouco, que colmataria o défice editorial bracarense editando um livro por ano. Colmate-se.

Declaração de interesses: sou o director editorial da Colecção Braga Cidade Bimilenar, que tem a orientação gráfica de Luís Cristóvam.




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