Fotografia:
No «Ano da Fé» – Uma forma de Evangelizar (1)

A vida do Padre Michel Marie Zanotti Sorkine foi agitada. Nasceu em 1959 e tem origem russa, italiana e da Córsega. Aos 13 anos perdeu a mãe, o que lhe causou um grande abalo e o levou a intensificar a sua devoção a Nossa Senhora. Com um grande talento musical, tentou compensar a dor da perda da mãe com a música. Em 1977 depois de ter sido convidado a tocar num café de Paris de Montecarlo mudou-se para a capital onde começou a sua carreira de compositor e cantor.

Maria Fernanda Barroca
10 Nov 2012

No entanto, o apelo de Deus foi mais forte e em 1988 entrou na Ordem dominicana por devoção a S. Domingos. Esteve com os dominicanos quatro anos, e perante o fascínio por S. Maximiliano Kolbe mudou para a Ordem franciscana, onde permaneceu quatro anos.
Com quase quarenta anos, em 1999 foi ordenado sacerdote da diocese de Marselha. Além da música, que agora dedica a Deus, também é escritor tendo publicado já seis livros alguns de poesia.
“Levar a Deus todas as almas que seja possível”. O Padre Michel Marie Zanotti Sorkine tomou esta frase a sério, e tornou-se o seu principal objetivo como sacerdote.
E de objetivo passou à acção. A igreja estava para ser demolida e o Padre consegue torná-la na paróquia com mais vida de Marselha, num bairro com muitos muçulmanos e só 1% de católicos praticantes.
Como músico de êxito, usa esse «dom de Deus» para tornar Deus presente no mundo. E que faz mais? Usa sempre batina pois entende que qualquer cristão tem o direito de ver um sacerdote fora da igreja; mantém as portas da igreja abertas o dia inteiro e as Missas de 50 assistentes passaram a ter 700.
Uma das iniciativas principais do Padre Zanotti Sorkine para revitalizar a fé da paróquia e conseguir a afluência de pessoas de todas as idades e condições sociais é revitalizar o sacramento da Penitência. Antes da abertura do templo às 8h00 da manhã já há gente à espera à porta para poder receber este sacramento ou para pedir conselho a este sacerdote sempre tão disponível.
Os fiéis contam que o Padre Michel Marie está boa parte do dia no confessionário, muitas vezes até depois das onze da noite. E se não está lá, anda pelos corredores ou na sacristia consciente da necessidade de que os padres estejam sempre visíveis e próximos, para ir em ajuda de todo aquele que precisa.
É curioso ler uma das conclusões do Sínodo dos Bispos que terminou no dia 28 de outubro: “Os bispos ao sublinhar que o sacramento da Penitência deve ser posto de novo no centro da atividade pastoral da Igreja, sugere que em cada diocese haja ao menos um lugar onde se ouçam confissões a todas as horas do dia e da noite”. A propósito lembro o que aconteceu com o beato João Paulo II. Recebeu um amigo que lhe disse: acabei de me encontrar com o ex-Padre X. O Papa pediu-lhe: vai procurá-lo e traz-mo cá já. Assim aconteceu. Quando o ex-Padre, chegou junto do Papa, este disse-lhe: Chamei-te, porque quero que me ouças em confissão. Não posso, porque perdi as licenças. Eu, diz João Paulo II, sou o Bispo de Roma e concedo-tas. No fim inverteram-se os papéis e João Paulo II confessou o ex-Padre, acabando abraçados a chorar, enquanto o Papa lhe dizia: «Um sacerdote, é-o para sempre».
Outra das suas inovações mais positivas é a de ter a igreja permanentemente aberta. Isto gerou críticas doutros padres da diocese mas ele assegura que a missão da paróquia é “permitir e facilitar o encontro do homem com Deus”
Numa entrevista a uma televisão disse estar convencido de que “se hoje em dia a igreja não está aberta é porque de certa maneira não temos nada a propor, ou tudo o que oferecemos já acabou. No nosso caso em que a igreja está aberta todo o dia, há gente que vem, a qualquer hora; nunca tivemos roubos, há gente que reza e garanto que a igreja se transformou num instrumento extraordinário que favorece o encontro entre a alma e Deus”.
O bispo mandou-o para esta paróquia como último recurso para a salvar, e fê-lo de modo literal quando lhe disse que «abrisse as portas».
“Há cinco portas sempre abertas e toda a gente pode ver a beleza da casa de Deus”. 90.000 carros e milhares de pessoas passam e veem a igreja aberta e com os padres à vista. Este é o seu método: a presença de Deus e dos seus fiéis num mundo ultra-secularizado.




Notícias relacionadas


Scroll Up