Fotografia:
A crise atual e os vendilhões

Portugal está a viver uma das maiores crises da sua história, sobretudo a nível financeiro e político.Basta ver e ouvir o que se passa no parlamento com todas as diatribes e apodos sarcásticos, mais sonoros que os das peixeiras abespinhadas. O ambiente geral também não é pacífico. Ainda ecoam aos ouvidos as manifestações de meados de setembro por causa da TSU e, ultimamente, por causa do aumento do IRS.

Manuel Fonseca
10 Nov 2012

Afirmava, há tempos, D. Manuel Martins, ex-bispo de Setúbal, que os nossos governantes são escolhidos entre pessoas embrenhadas em teorias de gabinetes, sem experiência de práticas ativas e executivas, acabando por serem um peso morto. E acrescentava que uma senhora idosa o tinha abordado para lhe pedir orações para que tenhamos governantes com juízo.
Recordo também o maestro António Vitorino de Almeida que afirmava ser um disparate e uma parvoíce escolher para funções governativas pessoas novas, que ainda necessitam de queimar energias e bater com a cabeça contra a parede.
A crise que se vive não tem origem apenas na redução de salários e de pensões, mas também no excesso da carga fiscal. Não é necessário ser versado em finanças para perceber que cerca de metade dum salário médio (os entendidos falam em 2/3), é carreado para o Estado. São os múltiplos impostos diretos e indiretos. O automóvel que mete combustível deixa lá metade em imposto de IVA. Antes já teve de pagar ISV, mais IVA, na compra do mesmo. Paga todos os anos imposto de circulação (antigo imposto de selo), seguro e inspeção.
Em todas as compras paga IVA. O mesmo paga com elevada percentagem nalguma economia que tenha no banco. Se é reformado, vê a sua reforma a diminuir. Se é trabalhador, paga IRS e segurança social. Se tem casa, paga IMI…
O Estado é nosso comensal. E quer ser alimentado do bom e do melhor, mesmo que falte à família.
Os nossos bispos têm alertado o governo para centrar a sua política no bem comum e no respeito pela pessoa humana, mormente de quem mais necessita.
Esta chamada de atenção não se coaduna com uma política liberal que, a pouco e pouco, aliena empresas, bens e serviços, que podiam ser uma fonte de rendimentos.
Ainda há tempos, questionado no parlamento sobre a intenção de alienar a CGD, o primeiro-ministro declarou que, para já, vão ser alienados os ativos da mesma.
Quando é sabido que o governo quer despachar o mais depressa possível TAP, ANA, Correios, EDP, Águas de Portugal, RTP e tudo o mais que puder, desprezando o caráter simbólico de alguns desses bens, tememos que uma nação de mais de oito séculos fique esmirrada no seu património cultural, energético e financeiro.
Se houvesse dúvidas sobre a matriz ideológica de quem preside à governação de Portugal, essas medidas de alienação o demonstram à saciedade, pois algumas dessas empresas são fonte de rendimento ou, pelo menos, bem geridas, poderiam sê-lo. Daí o interesse dos privados e estrangeiros na sua compra. Reduzir o Estado a um esqueleto sem o respetivo volume de composição parece ser o objetivo principal deste governo.
Oxalá, Portugal recupere a sua dignidade com homens dignos, sábios, prudentes e dinâmicos, e não com vendilhões como os do tempo de Cristo!




Notícias relacionadas


Scroll Up