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A colheita das experiências felizes através dos relacionamentos

Quase me apetecia afirmar que é da franca, ajustada e progressiva abertura das janelas da memória para o nosso interior profundo, que se desfrutam as experiências, saborosas e rutilantes, da felicidade. A marinar em tal apetite, deixo-me seduzir pela fagueira tentação científica. Vou transportar a génese das nossas reações, atitudes comportamentais e relacionamentos, para a crista avermelhada das vivências dos nossos estados bio-psíquicos, agradáveis e saudáveis ou desagradáveis e doentios. Vou chamar experiências ao modo como emocionalmente sinto e mentalmente vejo os nossos estados bio-psíquicos.

Benjamim Araújo
10 Nov 2012

As experiências estão cheias, como um ovo, de energia fisiológica, localizada sobretudo no córtex cerebral (lóbulos direito e esquerdo); estão cheias de energia psíquica, expressa sobretudo nos lubrificantes da emoção, paixão, sentimentos e no filme, fogosamente dinâmico, das representações impostas pela energia da mente. Estas experiências, a fim de se expressarem no tempo e no espaço, têm de passar pela incubadora do meio ambiente quer interno quer externo, pois formiga nestes ambientes a complexidade inerente às nossas experiências.
O alvo deste artigo é ir ao encontro de todas as necessárias ferramentas disponíveis e ao serviço da construção do relacionamento global.
Entendo por relacionamento global a recíproca conexão, progressiva e ajustada, do organismo biológico com o organismo psíquico. É recíproca a conexão desta unidade bio-psíquica com a unidade corpo e alma. Entendo a recíproca conexão destas unidades com o nosso ser autêntico, a apontar-lhes, com o indicador, a sua unicidade, o estandarte da fraternidade entre todos os homens. A partir daqui, para que o relacionamento seja verdadeiramente global, é imperativo relacionarmo-nos com o outro, com o mundo e com Deus.
Em “Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis” (livro científico e humanístico que deve estar na mesinha de cabeceira), a ideia dominante do Dr. Cury, que relampeja no prefácio deste seu livro, é construir relações (eu direi relacionamentos) saudáveis; educar as emoções; equipar o intelecto; conhecer os papéis do eu, relativamente à sua capacidade de escolha, de construção da sua história e de ser protetor da mente; ser o jardineiro da emoção, plantador de janelas light.
Os grandes arcos que sustentam a ponte, por onde caminham, em passos firmes e decididos, os relacionamentos saudáveis e maduros são, para o Dr. Cury, a Inteligência Multifocal; o Eu como o autor da sua história; as janelas da Memória.
Sintetizando: as vivências das nossas representações, tanto as light – a esperança, o otimismo, a confiança (geradores de prazer, tranquilidade, lucidez), bem como as killer – a ira, a depressão, o ciúme (geradoras de humor triste, ansiedade, agressividade, fobia, irracionalidade), são responsáveis, respetivamente, pelo eclodir dos nossos estados bio-psíquicos saudáveis, maduros ou doentios, destruidores, assassinos. Tais representações, tantas vezes espontâneas, são gravadas, consciente ou inconscientemente, na nossa memória.
A progressiva abertura das janelas da memória para os respetivos estados bio-psíquicos, vai efetivar e condicionar, respetivamente, as construções saudáveis, vitais e maduras ou as doentias e imaturas dos relacionamentos, sejam com o próprio, com os outros ou com Deus. É de toda a conveniência científica, para alcançarmos a maturidade e saúde psíquica, dar–lhes um mergulho na bacia da consciência, alinhar-lhes a cabeleira com o pente fino da gerência e cortar-lhes as unhas com a tesoura da liderança.
Toda a nossa atenção vai agora concentrar-se no seguinte: através do nosso constante esforço, pudemos superar, com o tempo, os nossos relacionamentos imaturos, doentios, assassinos, substituindo as representações mortais pelas vitais, com o apoio de fármacos, se necessário.
À obra do Dr. Cury vou fazer este ajustamento: Todo o relacionamento de que falamos aqui está limitado pela dimensão científica. É um relacionamento mergulhado no tempo e no meio ambiente quer interno quer externo. O cientista, porém, como pessoa, deve, para além da ciência, abrir as janelas da memória para a identidade do seu ser objetivo e autêntico e deste para Deus.
Desta globalidade sai, agora, um ramo, atado pelo cordão da fraternidade, onde se unem as flores da vida, da paz, da felicidade.




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