Fotografia:
Reapontar baterias

Era grande a expectativa dos adeptos bracarenses antes do jogo, no Axa, com o Manchester United. A excelente prestação da equipa minhota em Old Trafford e a possibilidade de “relançar”, com uma vitória (ou pelo menos um empate) em Braga, o onze de Peseiro na Liga dos Campeões, constituíam “aditivos” suficientes para esse entusiasmo prévio.

Pedro Álvares de Arruda
9 Nov 2012

No final da partida, porém, as expectativas saíram goradas. Mais do que isso: foi grande a frustração perante uma derrota demasiado injusta. Injusta porque, durante mais de dois terços do jogo, o Sp. Braga dominou por completo – a ponto de, a haver um vencedor, esse deveria ter sido o Sp. Braga.
Então por que motivo perdeu a equipa bracarense, se durante a maior parte do encontro dominou as operações?
Como é bom de ver, esta questão não é de fácil resposta.. Afirmam alguns que o treinador José Peseiro não “mexeu” na equipa a tempo de suster os avanços do Manchester na parte final do jogo, particularmente após a entrada de Van Persie. Dizem outros que as “culpas” cabem maioritariamente a Beto, que ingenuamente permitiu o golo do empate e o consequente empolgamento do “onze” britânico. Outros ainda não retiram “culpas” ao árbitro, por ter marcado uma grande penalidade inexistente contra os bracarenses, numa altura crucial do jogo. E há ainda quem aponte o dedo ao quarteto defensivo do Sp. Braga, considerando que “não está à altura” de atuar em competições deste gabarito…
Talvez todos tenham um pouco de razão. Creio, todavia, que o “busílis” do problema está num patamar de maior complexidade, que foge às contingências dos jogos realizados em Braga e em Manchester. Trata-se, a meu ver, de uma questão que se prende com a inexistência de uma “equipa de segunda linha” que permita aos bracarenses provocarem uma “reviravolta” quando o jogo não lhes corra de feição. Julgo que o “banco” do Sp. Braga fica, qualitativamente, aquém das necessidades de uma equipa que tem de defrontar clubes de colossal poderio na Liga dos Campeões – e ao mesmo tempo se bate noutras “frentes” (1.ª Liga, Taça de Portugal, Taça da Liga…), onde também pretende chegar longe.
No início da época, o Presidente António Salvador fez saber que era a altura de o Sp. Braga conquistar “um título”. Pelo que tem feito pelo clube, o Presidente já o merece. Só que isso implica a realização de jogos atrás de jogos sempre com os mesmos jogadores – com o evidente cansaço físico e psicológico que isso provoca. E não há uma “equipa de segunda linha” que permita alternâncias com qualidade.
Tenho, pois, por certo que o Sp. Braga perdeu no Axa (como em Old Trafford) sobretudo por cansaço – um cansaço de concentração, que se evidencou sobretudo a partir dos 65-70 minutos de jogo…
É óbvio que combater em várias frentes com objetivos de vitória permite ampliar as “possibilidades” de conquista – mas perde-se em eficácia. E… “quem tudo quer, tudo perde”!
Julgo, por isso, que talvez seja este o momento de o Sp. Braga ser “realista” e reapontar as suas “baterias” para uma ou duas conquistas (no máximo) na presente temporada. Desejar vitórias atrás de vitórias na Liga dos Campeões, no campeonato nacional e nas duas taças internas só vai, na minha perspetiva, provocar descalabros como os que vimos em Manchester e no Axa.




Notícias relacionadas


Scroll Up