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A capoeira em alvoroço

De Vicenzo Spinelli – professor de literatura italiana na Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais e do Teatro Universitário da UFMG – este Rádio Romance, tradução de Egídio Guimarães. Leitor que não da minha geração, perguntará o que é um Rádio Romance. Era como que Telenovela, que prendia muita gente à Rádio, distracção caseira, barata, com uma taxa; ninharia face à com que sustentamos Rádio e TV Públicas. O Romance virou Novela radiofónica e ficou célebre a “coxinha” do TIDE, detergente patrocinador.

Gonçalo Reis Torgal
9 Nov 2012

A estória envolve ridículas personagens como Modestinus de Anscribus, o diabético Ariodante e D. Filomena, mulher deste, Presidente do Fáscio Feminino numa cidade da América, antes de 39 do século XX. A ridiculez das personagens e o alvoroço ficcionado achei-os a propósito para cobertura desta Crónica. Somei-lhe os indícios de corrupção (D. Filomena garante-a), o medo do poder e a calhandrice intriguista e a razão duplicou. Triplica ao ter sido acabado de compor no dia de TODOS OS SANTOS de 1946, dia de Preceito contra o qual o governo se acirrou, com a complacência da Igreja. Finalmente acresci a nota do autor de que “Todas as personagens desta verídica história são fictícias. Qualquer semelhança com pessoas
reais, existentes ou que existiram, deve atribuir-se, portanto, a uma pura e simples coincidência.” Que implica uma outra do Editor: Registamos com prazer esta declaração, embora ela seja perfeitamente inútil. De facto, quem poderia acreditar na realidade efectiva de personagens como Modestinus de Anscribus?
Ora, por mal dos nossos pecados, o pesadelo real que nos amarga a vida parece ficção do tipo dos milhentos romances de José Rodrigues dos Santos, de interesseiro anti-catolicismo, que a bacouquice sustenta, mas não é. Na verdade – repito a nota do Editor – “quem poderia acreditar na realidade efectiva de personagens” como o Coelho Passos Pedro das vãs promessas, mentiroso impulsivo, subserviente a quem comanda, sem passar cartão à democracia, cocabichando tudo com a TROYKA, FMI, BCE e demais bicho-careta disposto a “refundir” o POVO que o elegeu; o Relvas da licenciatura ao minuto, porém, espírito agudo, Maquiavel de pacotilha, “Homem que calculava” (cf. Minha Crónica) a quem por certo se deve a bomba da refundação (ou refundição?); o iluminado Gaspar que, na simbologia do nome, vê incenso, ouro e mirra onde os demais vêem catastrófico futuro; o ex Paulinho das feiras, olvidando a Europa, onde não buscou ou não encontrou solidariedade, virado para os longes – para lá “fuge” quando esquenta; Miguel Macedo das polícias – inútil invisibilidade; a excelente Deputada Assunção Cristas, Ministra a provar O Princípio de Peters; Álvaro das farturas que conhecerá o Canadá, mas desconhece o que antigamente chamávamos Portugal; o Mota da mota, agora topo de gama (se Clio não serve ao PS, como podia Ministro andar de mota!?) que acabou com a super-lotação dos lares, pondo três “velhinhos” em quarto de dois e as PESSOAS feitas coisas; o Aguiar, em BRANCO do descontentamento das forças Armadas; o “esquerdista” Castro e o aborto engendrado pela D. Lurdes, de quem o PS se não desmarca, e que o Coelho Passos Pedro e comparsas exigem mais deseducativo. Pais, Alunos, Professores (no activo ou aposentados, a quem roubam as reformas) que se lixem; o endireitador dos impostos querendo endireitar a saúde, coisificando as pessoas. Ora, lembra Juan José Millas, já “fomos coisificados por Draghi, Lagarde, Merkel”, perdendo-se o carácter de pessoa e consequentemente a Democracia. CHEGA!
De ficção, o PR calhado na rifa, impassível perante o sofrer do Povo, vivendo de tiradas de plástico, sem jeito nem feitio. Tudo complementado pela realidade ficcionada de um encarniçado galaroz do PS, que recusa engolir o que do acordo com a TROYKA se deve ao PS e trágicos 20 anos de “Socialismo”. Quem não vê cisco em olho próprio, não pode gritar argueiro em olho alheio. Quando o fizer, sim, pode contestar a estupidez calculista de Coelho Passos Pedro e seu bando (cf. A Arte de Furtar e O Síndroma de Ali Bábá). Real a inimaginável política de austeridade e estupidez, que acelera a recessão e o desemprego; os roubos a quem trabalha ou gastou a trabalhar; o Acordo Ortográfico aviltante; o desprezo pelo Estado Social, conquista da Europa e que seu orgulho devia ser, que querem refundar – seja lá isso o que for que passou pela mente pervertida do Dr. Relvas – que, à socapa e sorrelfa, já cá meteu a Brigada de ocupação. 
Em Alvoroço galos, galarotes, galaruchos, galiscos, garnisés e pintos piam no poleiro. O POVO nem pia. Ora se não defendemos nossos direitos, vai-se a dignidade que se não negoceia. A Capoeira Alvoroçada esquece que “derrota honrosa é melhor que vitória que envergonhe” (A. Licoln). O País perdeu a INDEPENDÊNCIA. O Povo a PAZ – Liberdade tranquila. Dizia Ho Chi Minh: “Nada é mais importante do que a independência e a liberdade”. Não temos nem uma, nem outra.




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