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Cidadãos amorfos?

Hoje limito-me a transcrever quatro textos que me enviaram por mail.Vejo neles um apelo ao exercício dos nossos direitos/deveres de cidadania. Um forte safanão no nosso comodismo egoísta.
 

Silva Araújo
8 Nov 2012

1. Maiakovski (1893-1930), poeta russo, escreveu, no início do século XX :
Na primeira noite, eles aproximam-se
e colhem uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem,
pisam as flores, matam o nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

2. Bertold Brecht (1898-1956) escreveu:
Primeiro levaram os negros.
Mas não me importei com isso,
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários.
Mas não me importei com isso,
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis.
Mas não me importei com isso,
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados.
Mas como tenho o meu emprego,
Também não me importei.
Agora estão a levar-me,
Mas já é tarde.
Como não me importei com ninguém,
Ninguém se importa comigo.

3. Martin Niemöller (1892-1984) escreveu em 1933:
Um dia vieram e levaram o meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
o meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram o meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e levaram-me;
Já não havia mais ninguém para reclamar…

4. Uma queixa de Martin Luther King (1929-1968):
O que mais me preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… o que mais me preocupa é o silêncio dos bons!




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