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A lei da adaptação (I)

O homem possui dentro de si e no meio ambiente que o rodeia tudo aquilo que é necessário para atingir os seus objetivos essenciais. Tem potencialidades para enfrentar e resolver, o melhor possível, todos os problemas, mesmo que eles impliquem grandes dificuldades. Ou seja, com a sua capacidade adaptativa (que é uma espécie de força e revolução interiores), o homem está naturalmente preparado para solucionar todas as situações que lhe surjam, sem, no entanto, perder a sua liberdade pessoal ou a sua personalidade.

Artur Gonçalves Fernandes
8 Nov 2012

Todas as vezes que entramos em contacto com realidades novas, cada um de nós aciona de imediato o ajustamento psicossomático adequado, procurando a solução mais conveniente. Estes ajustamentos (internos e externos), que são uma constante da nossa vida, vão contribuir para o êxito ou insucesso pessoal, consoante forem conformes ou não com a natureza humana. É nesta escolha adaptativa que pode residir a nossa felicidade. A vida é uma contínua adaptação à realidade que o homem deve saber ajustar, de modo a integrá-la dentro da sua independência livre e responsável.
Todos sabemos que o mundo moderno é, em grande dose, louco e desequilibrado, tudo podendo acontecer, em qualquer dia da nossa vida, sob o ponto de vista social, político, financeiro, pessoal ou profissional. O segredo do êxito está em nos sabermos adaptar adequadamente sem beliscar o nosso caráter pessoal. Temos a capacidade de adaptarmos a nossa existência e os nossos planos de modo a podermos ficar acima da confusão e do barbarismo que entranha as comunidades humanas. Devemos evitar tanto a excentricidade efusiva, que facilmente resvala para a euforia mórbida ou até marginal, como a misantropia que pode degenerar em abulia ou solidão redutora e suicida.
Uma grande parte das pessoas anda permanentemente em guerra consigo mesma, porque se perdeu a arte de pensar pela própria cabeça. Se o homem procura a verdade e a retidão, sabe tudo aquilo de que é a favor ou de que é contra. Se, pelo contrário, procura coisas indefinidas ou impostas pelos outros sem as discernir corretamente, pode adaptar-se a tudo e ser um joguete da sociedade, não sabendo ou não tendo força de vontade para contornar as situações inconvenientes. A faculdade de adaptação é virtuosa apenas se for equilibrada e racional. Ela é totalmente oposta à aceitação cega ou seguidista das ideologias propostas pelas massas brutas controladas por aduladores déspotas que só desejam beneficiar pessoalmente do seu poder influenciador, esquecendo o bem comum das populações. Além disso, hodiernamente, há tanta gente que anda numa roda viva para ver quem se adapta primeiro a qualquer coisa nova, sem olhar nem refletir na estupidez ou na imbecilidade que, muitas vezes, ela encerra, bem como nas suas consequências gravosas para si e para os outros. O homem pode, se não souber discernir corretamente as novas situações, adaptar-se com facilidade à escravatura do dinheiro, do mando a qualquer custo, da ganância e, numa palavra, do imoral. Os homens admitem condições, tantas vezes degradantes porque não pensam realmente naquilo que fazem. O mesmo acontece com muitos políticos que baseiam as suas promessas e o seu comportamento no número de votos a ganhar e não no conceito dos interesses do país. Nestas circunstâncias, o homem destrói-se seguramente a si próprio, embora de um modo lento e quase sem se aperceber. Esta adaptação desequilibrada não interessa a quem se pautar pela autenticidade das atitudes. Os critérios a ter em conta para uma ajustada adaptação são a razão, a lógica, a verdade, a justiça, a lucidez, o bom senso, a moral e a ética.




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