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E, então, baixamos os braços?

A discussão, no Parlamento, do Orçamento de Estado para 2013 foi uma feira de vacuidades e vozearias. Esgrimiram-se argumentos partidários, exibiram-se vaidades oratórias, propalaram-se rancores de classe, desfraldaram-se bandeiras ideológicas.

Dinis Salgado
7 Nov 2012

Não seria, pois, muito mais útil utilizar essas horas, gastas em nada, no arranjo de soluções para os enormes problemas do país? Claro que, quando aos interesses nacionais se sobrepõem interesses ideológicos, de grupo ou classe, quem mais sofre é quem menos tem e pode.
Entretanto, face às competências que a Constituição da República lhe confere, o povo interroga-se:
– E, então, o Presidente da República não faz nada?
Objetivamente, não teríamos chegado ao atoleiro económico-financeiro em que caímos se, após as últimas eleições legislativas se tivesse formado um governo de salvação nacional. Conhecida já a grave ameaça de eminente bancarrota em que as finanças públicas se encontravam, não era, obviamente, no resultado eleitoral, fosse qual fosse, que estava a solução.
Por isso, só uma conjugação de esforços e vontades político-partidários em torno de um programa comum de saneamento das finanças poderia salvar-nos da troika. E, nem que para o conseguir, necessário fosse formar um governo com todos os partidos e chefiado por um primeiro-ministro deles equidistante.
Todavia, teimando-se na solução, embora apoiada maioritariamente no Parlamento, político-partidária, em vez de patriótica e nacional, acabámos, quais pedintes, de chapéu na mão e mão estendida.
Entretanto, face às competências que a Constituição da República lhe confere, o povo protesta:
– E, então, o Presidente da República não faz nada?
Chegámos a um estado em que a própria democracia corre perigo. A indignação que toma conta das ruas ameaça a tolerância, a concórdia e a paz social. E o povo, magoado, ofendido e espoliado, sem culpa alguma, sente no corpo e na alma o esbulho dos seus direitos pessoais e sociais a que a austeridade conduz. E perdendo vai e liberdade e a esperança e, com elas, a sua intrínseca condição humana
E quando há tempos Manuela Ferreira Leite defendia a suspensão temporária da democracia, agora percebemos que era a solução democrática possível para salvar o país. Porque, nó findo, as suas palavras eram um apelo aos partidos para que enterrassem os machados de guerra partidários e se unissem num esforço comum de salvação nacional.
Entretanto, face às competências que a Constituição da República lhe confere, o povo explode:
– E, então, o Presidente da República não faz nada?
E, assim sendo, continuamos a praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, ate de hoje a oito.




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