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Ainda a “refundação”!

A palavra refundação tem estado nos últimos dias no centro da discussão política e nas conversas dos portugueses, desde que o primeiro-ministro afirmou, no fecho das jornadas parlamentares dos deputados da maioria que apoia o Governo, que até 2014 se iria realizar uma reforma do Estado que seria “uma refundação do memorando de entendimento”. Ora, sendo esta palavra suscetível de várias interpretações, o resultado não se fez esperar.

J. M. Gonçalves de Oliveira
6 Nov 2012

Alguns portugueses ficaram inquietos pensando que tal afirmação poderá traduzir um real emagrecimento do Estado Social, enquanto outros, mais radicais, viram na expressão um intuito de regresso a tempos de míngua e servidão de meados do século passado. Seja o que for, seria bom que esclarecesse o que verdadeiramente quis dizer, para evitar que se continue a especular e a perturbar o já muito atormentado quotidiano dos cidadãos.
A situação que Portugal vive no presente assemelha-se à que, no século XVII, o país sofreu sob o domínio filipino com a agravante de que hoje o jugo é de outra dimensão e possivelmente bem mais pesado. Torna-se urgente recuperar a soberania perdida e tudo fazer para resgatar a independência. O caminho é estreito, mas será preciso trilhá-lo com os cuidados necessários para que, como refere Manuela Ferreira Leite, ao chegar ao fim não restem mais do que um punhado de destroços.
É neste sentido que as reformas urgentes que é necessário fazer preservem o essencial do país e se façam com a coragem de emagrecer as estruturas do Estado onde, em tempos de abundância e de muita irresponsabilidade, se multiplicaram serviços que, não raras vezes apenas aumentaram a teia burocrática profundamente castradora da iniciativa e do progresso. Não é preciso ir muito além. Olhando à nossa volta, encontraremos vários exemplos que ilustram bem estas afirmações.
A situação atual exige, a nível interno, audácia e ousadia para enfrentar os poderes instalados. Penso que isto, só poderá ser conseguido com vontade férrea e com verdade transparente. A nível externo, mais do que ser meticulosamente cumpridor, impõe-se ter voz própria, percetível e clara, que não se limite a acolher conselhos, ordens e sugestões.
Acredito no meu país e julgo que o Governo que nos dirige ainda está a tempo de corrigir alguns passos e tem capacidade para devolver aos portugueses a esperança de vislumbrarem algum alívio no fim de tanto sofrimento.
Ao povo, mais do que discussões pretensiosas, interessa as medidas concretas que têm repercussão direta no seu dia a dia. Por isso, impõe-se a Pedro Passos Coelho dizer com clareza onde vai conseguir quatro mil milhões de euros e o que vai fazer para os obter. Só deste modo, poderá calar quantos o diabolizam e acalmar muita da inquietude que se vai somando na maioria dos portugueses.
Ao ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, impõe-se, mais do que fazer diplomacia económica, ter uma voz firme e clara sobre a problemática europeia e concertar posições com os países, que à semelhança de Portugal, se encontram na mesma encruzilhada.
Por outros caminhos, estou em crer que poderemos mergulhar no futuro com muitas mais incertezas e onde as portas de abismos mais tremendos se podem franquear. Não iremos sozinhos, mas poderemos ser dos primeiros a contribuir para o desmoronar de uma Europa em equilíbrio cada vez mais instável.
Quero acreditar, que isto não passará de uma visão mais ou menos catastrófica.




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