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A crise e as suas consequências

O conceito bíblico do JUÍZO FINAL está cada vez mais a ser vivido pelos portugueses. Juízo Final sobre o modelo de desenvolvimento e governativo que imperou desde o 25 de Abril em que, a troco de fundos comunitários, Portugal se viu desfazer de setores produtivos que foram sempre a sua matriz.

José Manuel Lopes Ferreira
6 Nov 2012

Falo concretamente dos setores pesqueiro, agrícola e industrial que uma classe política impreparada e sem estratégia, endeusada pelos milhões com que a Comunidade Europeia acenou, não acautelou para garantir parte da sua autossuficiência alimentar, uma vez que a totalidade teria que estar sempre dependente do conjunto das políticas comunitárias.
Portugal foi sempre o parente pobre da comunidade europeia. E se têm existido razões históricas para esse facto, não é menos verdade que o chamado trabalho de casa, que depende exclusivamente dos portugueses, também nunca foi bem feito por falta de rigor e exigência. A par de país pequeno, pobre e periférico, Portugal é um país onde a corrupção, o xico-espertismo e a negligência convivem em harmonia perfeita com uma legislação que, no limite, iliba o criminoso.
Cada novo processo que surge tem, quase sempre, servido para tornar esquecido o anterior, sem que os cidadãos sejam devidamente informados da sua conclusão e, não em poucos casos, com o gasto de milhares de euros na sua instauração.
Portugal é, assim, um país pequeno! Pequeno porque é um país-
-família. Todos somos primos uns dos outros, mais ou menos, e pequeno na sua ambição. É um país de excessiva proximidade e os portugueses estão mais para fazer sacrifícios lá fora. Quando saem, tantos lhes dá para ir para a Suiça, Brasil ou Austrália. É uma saída de necessidade, imposta por razões históricas a que não é alheio o figurino político constitucional português. E perante as atuais dificuldades, o fenómeno migratório volta a assumir dimensão extraordinária.
Privados do miolo das bateladas financeiras enviadas para Portugal, em grande maioria mal geridas, os portugueses dão-se agora conta de terem que viver uma nova realidade impensável há 4 ou 5 anos atrás, em que só uma minoria bem informada poderia prever famílias a perderem empregos e casas.
Portugal agoniza, assim, com um saudosismo aparentemente mais vantajoso. A criação do Euro não só não enterrou o Escudo mas antes o imortalizou e, aparentemente, por ser inverificável.




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