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Viver o Evangelho com compromisso

As sociedades ocidentais e a sociedade portuguesa, em particular, estão a viver uma conjuntura especialmente difícil, que afeta a generalidade dos seus membros e, particularmente, aqueles, cada vez mais, que se encontram numa situação mais vulnerável. A presente crise deve ser uma oportunidade privilegiada de discernimento crítico sobre as suas causas e as soluções necessárias para a sua superação.

Daniel José Ribeiro de Faria
3 Nov 2012

Para além das suas dimensões económica e social, a atual crise não deixa de ser cultural e de valores.
Por isso mesmo, para além da indispensável atuação dos poderes públicos e das organizações da sociedade civil, a superação da atual crise requer uma mudança de consciência a nível individual e coletivo.
Todos os homens e mulheres que vivem neste planeta possuem uma dignidade essencial e direitos fundamentais, mas têm igualmente uma responsabilidade inegável pelo que fazem ou deixam de fazer. Todas as nossas decisões e atos, assim como as nossas omissões, têm consequências.
Os cristãos têm uma responsabilidade especial em manter viva essa responsabilidade, aprofundá-la e transmiti-la às gerações atuais
e futuras.
As alegrias e as tristezas, as esperanças e as angústias dos seres humanos de hoje, sobretudo de todos aqueles que sofrem com as diversas formas de exclusão e de violência, devem ser partilhadas pelos discípulos de Jesus Cristo.
Os cristãos devem procurar cumprir fielmente os seus deveres terrenos, guiados pelo espírito do Evangelho. Erram os que, sabendo que não temos aqui na Terra uma realidade permanente, pensam que podem, por isso, descuidar os seus deveres terrenos, sem terem em conta que a mensagem cristã os incumbe de cumpri-los com maior intensidade. Mas não menos erram os que, pelo contrário, consideram poder entregar-se às ocupações terrenas, como se estas fossem inteiramente alheias à vida religiosa, a qual pensam consistir somente no cumprimento dos atos de culto e de certos deveres morais. Esta separação entre a fé que se professa e a vida quotidiana deve ser considerada como um dos mais graves erros do nosso tempo.
Na vivência do cristão, não pode haver duas vidas separadas: por um lado, a vida chamada “espiritual”, com os seus valores e exigências; e, por outro, a chamada vida “secular”, ou seja, a vida da família, do trabalho, das relações sociais, da cultura e da participação cívica e política.
Os cristãos têm a responsabilidade de cultivar uma espiritualidade orientada para o mundo contemporâneo. Uma espiritualidade que renova o mundo segundo o Espírito de Deus, que cultiva um amor apaixonado por Deus, sem tirar o olhar dos irmãos e de os amar como Ele os ama. É uma espiritualidade que confere unidade, sentido e esperança à nossa existência, tantas vezes contraditória e fragmentada.
Os cristãos, em estreita colaboração com todos os homens e mulheres de boa vontade, têm a responsabilidade de contribuir para uma sociedade na qual a dignidade da pessoa humana seja verdadeiramente promovida e valorizada.




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