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Direito de escolha do fármaco? Não, obrigado!

Há algum tempo atrás, não muito, os medicamentos eram prescritos em função do seu nome comercial e não em função de qualquer princípio ativo. Depois, alegadamente, em nome da poupança, foram introduzidos no mercado os ditos medicamentos genéricos (medicamentos que, porque os direitos reconhecidos sobre eles ao titular da patente se esgotaram, qualquer laboratório pode fabricar e comercializar). Mais recentemente, também, em nome da poupança, foi previsto que os médicos deveriam prescrever os medicamentos pelo princípio ativo e não pela designação comercial, podendo o consumidor (o paciente) optar (à luz do direito de escolha) pelo fármaco que, contendo o princípio ativo na qualidade prescrita, seja mais económico.

Marcelino Abreu
3 Nov 2012

Esta última medida até pode trazer alguma poupança, mas, se compararmos isto com os eventuais perigos para a saúde, não sei se compensa.
Tive algumas conversas com profissionais da área acerca da medida legal adotada e cheguei a uma conclusão: benefício, se houver, só há na carteira, mas perigo para a saúde, há com certeza.
Assim, um medicamento, além do princípio ativo (aquele composto químico que serve para o tratamento da patologia) é composto por uma série de outros elementos (por exemplo, amido, água, lactose, sacarose, entre outros) que vão revestir o princípio ativo e permitir que o fármaco tenha aquela cor, consistência, sabor e durabilidade que apresenta.
Ora, se todos os fármacos com um dado princípio ativo em determinada quantidade obedecem, independentemente do seu fabricante, à existência daquele princípio ativo na quantidade prevista (ou dentro do intervalo quantitativo previsto), já no que diz respeito aos demais componentes do fármaco estes podem variar, e variam, podendo acontecer que dois fármacos com quantidades idênticas do mesmo princípio ativo tenham, ao nível dos restantes componentes, composições diversas.
Ora, quando o médico prescreve um medicamento ele tem (ou deve ter) em atenção, não só o princípio ativo que o compõe, mas também os demais componentes do medicamento e os seus benefícios ou malefícios para o paciente (por exemplo, o médico não receitará um medicamento que, além do princípio ativo, tem amido ou lactose, se o paciente é alérgico a estes componentes).
Deste modo, pode não ser indiferente para o paciente, em face de dois fármacos com o mesmo princípio ativo, tomar um ou outro. Basta, por exemplo, ser alérgico a um dos componentes que compõem um dos fármacos e que não existe no outro.
Prescrever pelo princípio ativo, deixando ao consumidor o direito de escolha do fármaco que seja mais barato (respeitando, é certo, o princípio ativo e qualidade prescrita), se, por um lado, pode representar uma poupança imediata, pode, por outro lado, constituir um perigo para a saúde das pessoas. Até porque nem sempre (quase nunca) o paciente conhece todos os componentes do fármaco que adquire.
Da minha parte, prefiro não escolher e seguir o conselho do meu médico. Afinal de contas, ele é médico e a poupança imediata na carteira pode não compensar a despesa futura.
Até um dia destes!




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