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Autárquicas 2013 em Braga: uma sondagem que fala alto

O Diário do Minho publicou uma sondagem sobre candidaturas autárquicas em Braga no passado dia 30 de Outubro. Inédita, muito interessante, ela mostra o pulsar da política no momento em que é feita. Compreende-se que o líder da coligação PSD-CDS apareça à frente. Afinal, anda em campanha há dez anos. Contudo, o avanço em relação ao melhor candidato do PS, Dr. António Braga, ronda os 4 ou 5 pontos percentuais de diferença, o que o coloca na margem de erro. Estou convencida que o Dr. Ricardo Rio já atingiu o auge do crescimento. Não lhe vislumbro trunfos para crescer mais.

Maria do Céu Sousa Fernandes
3 Nov 2012

Quem me parece ter trunfos para arrancar da posição privilegiada em que surge nas sondagens é o Dr. António Braga. É uma figura nacional do PS, foi secretário de Estado e é vice-presidente da bancada socialista na AR, aparecendo frequentemente na comunicação social e nas televisões. A população de Braga reconhece-o como um bracarense que é o presidente da Assembleia Municipal.
O facto do Dr. António Braga aparecer como o candidato do PS que pode liderar um projeto político vencedor, derrotando o Dr. Ricardo Rio, é a confirmação de que a cidade de Braga, tal como as outras grandes cidades do país, passará a ser liderada por uma figura nacional, com experiência governativa e parlamentar.
Somente uma ampla experiência e conhecimentos profundos podem trazer uma mais-valia à polis bracarense no novo ciclo que se aproxima.
Esteja o PS, no seu todo, mais interessado em ganhar a Câmara de Braga com um projeto credível e eficaz para o Município do que em alimentar ambições infundadas, levará em consideração esta sondagem e apresentará como candidato o Dr. António Braga. O município de Braga é o terceiro mais importante. 
Presentemente, os eleitores, podem votar mais nos candidatos que nos próprios partidos. Ora, os partidos devem levar isso em consideração. É que a sondagem, para quem julgava o contrário, também mostra que o presidente da Câmara não é escolhido dentro das paredes do PS. Não. No seio dos partidos deve ser escolhido o candidato que tenha condições para melhor os representar e potenciar as condições de vitória junto do eleitorado. Neste caso de Braga e do PS, os eleitores são muito exigentes em relação ao currículo do próprio candidato.
O Eng. Mesquita Machado, na linha do que aconteceu em todos os estudos de opinião feitos a um ano de distância do seu terminus de mandato, independentemente do resultado final com que ganhou as eleições, apareceu sempre com um amplo apoio do eleitorado. Aliás, é justo que os bracarenses no seu último mandato lhe demonstrem o seu apoio por aquilo que fez.
De notar que este apoio ao presidente atual não passa, em nenhuma circunstância, para os potenciais candidatos do PS.
O referido estudo de opinião também diz, curiosamente, que o PS deve optar por um militante em detrimento de um independente. Apesar da crise que os partidos vivem, as pessoas, entre um militante concreto e com valor e um independente, abstrato ou sem provas e sem notoriedade, optam por um militante, neste caso pelo Dr. António Braga.
O Arq. Hugo Pires, apresentado como super-vereador, não consegue, no momento em que está a chegar ao fim a Capital Europeia da Juventude, que o povo o veja como putativo candidato a presidente da Câmara. Eventualmente, estes tempos não estão para lideranças jovens, com pouca expe-
riência e sem provas dadas!
O atual vice-presidente da Câmara, Sr. Vítor Sousa, o vereador com mais visibilidade e notoriedade, não conseguiu afirmar-se como “herdeiro” do atual poder. Provavelmente, tem-lhe faltado a capacidade de fazer passar uma mensagem capaz de o individualizar e de o tornar incontornável. Ao que se soma, agora, um ruído político significativo contra si, na imprensa, por via de notícias que afetam inevitavelmente a sua imagem política. Ora, não se tendo afirmado até agora, não será no tempo que resta até às eleições que conseguirá fazê-lo.
Enfim, em relação às pessoas que têm estado na Câmara Municipal, esta sondagem demonstra o que os bracarenses sabem há muitos anos: na Câmara de Braga só o seu presidente sobressai e só ele aparece com imagem positiva em qualquer estudo de opinião e no imaginário popular.
As sondagens credenciadas, rea-lizadas com recurso ao método científico, como se percebe na ficha técnica publicada pelo Diário do Minho, são instrumentos pertinentes de ajuda ao conhecimento de certas tendências do eleitorado. Ignorar a sua existência pode ser o caminho do desastre político. Dá mais informação e garantias um estudo externo, neutro, como este feito pela “Aximage” para o Diário do Minho do que aquele que resulta de “encomenda” partidária.
Há, assim, responsabilidades objetivas que recaem sobre os órgãos e decisores do PS. Nunca poderão dizer que desconheciam.




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