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Viver com sabedoria

Diz o povo que nem todos sabem tudo, mas todos sabem alguma coisa.Salvo as devidas exceções, assim é. Durante os dias que passam bem como os anos, concluímos pelas circunstâncias da vida que há pessoas na família, na rua ou na nossa cidade que são na verdade muito sabedoras, outras nem por isso e ainda outras, nada sabem.

Artur Soares
2 Nov 2012

Quem muito sabe e ensina, faz o que deve e nunca terá o direito de ser enciclopédia- fechada a enterrar; os que pouco sabem, não terão nunca o direito de parar de saber mais, sobretudo no que respeita à sã convivência entre os outros; os que nada sabem poderão estar mortos, indiferentes e não serão normais. Em qualquer dos casos, não se sabendo ou sabendo pouco, o ideal será ter um telefone à mão e perguntar a quem sabe, uma vez que o homem é uma fonte de perguntas em que durante toda a sua existência procura pequenas ou grandes respostas. E desistir de saber ou de aprender, tanto pode ser comodismo como egoísmo.
Na vida qualquer pessoa tem possibilidades de ser herói ou cobarde. Errar também.
O que importa ao errar é assumir, responsabilizar-se e indemnizar se for o caso.
Tal atitude pressupõe ter humildade, personalidade e, como não podia deixar de ser, saber. No erro, o uso da humildade e da personalidade, são atitudes naturais, talvez já tenham nascido com o individuo e, tudo bem. Mas a seriedade e o saber, adquirem-se a partir do berço, alimentam-se, regam-se e adubam-se eternamente. E se errar é humano e tudo pode ser resolvido através das atitudes atrás mencionadas, será atitude cobarde ficar-se indiferente ao (nosso) erro praticado ou arranjar um culpado para nos substituir.
É verdade que muitos daqueles que pouco ou nada sabem, errando, ficam sempre à espreita dum desgraçado que possa, por eles, ser culpado. Se assim for, serão dois erros seguidos e já muito pouco humano, tal erro: será como diz o outro, besteira.
Se estes – que pouco ou nada sabem – passam grande parte do tempo a errar podem chegar ao fim de uns tempos e sentirem-se inúteis e quererem “fugir”, isto é, abdicar de, automarginalizar-se, autoflagelar-se ou serem carraças do mau ambiente em todos os locais que se encontram. Podem até viver tristes ou revoltados e sentirem-se uns zero à esquerda. Assim sendo sou de opinião que todo o homem tem o dever de procurar melhorar, de lutar, de aprender e, desde que seja possível deve também ter o direito de todas as oportunidades. E se o que erra, errar muitas vezes, pode ter a certeza de que homem inútil nunca será, pois os outros, à custa deles sempre aprenderão.
Na minha juventude era norma dizer-se que todos os sabedores/sábios e doutores entre outros, eram os premiados dos bons empregos, do “alto convívio social”, da boa situação económica, política etc. “Chefe é chefe”, e se desejarmos saber qual é o verdadeiro chefe, o sabedor, pergunte-se a quem – em caso de fracasso – cabe a responsabilidade.
“Chefe dizem os filósofos é mais do que um presidente”. Este é um homem que passa o tempo sentado, que arbitra as opiniões daqueles a quem preside. O chefe conhece e aplica psicologia e filosofia para obter resultados. É sabedor, delicado, respeitador, firme e justo. Nos tempos que correm, não há chefes. Há colaboradores que podem ser chefinhos sem contarem, nomeados de manhã e desautorizados ao fim do dia. Podem ser pouco ou nada sabedores da missão a executar, podem ser burros até, mas desde que usem graxa e escova serão chefes rapidamente.
Teremos de aprender a viver com sabedoria, com rectidão e sobretudo com seriedade. Quem sabe, sabe e quem não sabe não deve levar a vida a chorar ou com frustração. A vida tem de ser vivida com alegria e segundo com o que temos, somos ou sabemos. E finalmente uma verdade absoluta: seja como for a vida vivida, ninguém sairá vivo dela.




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