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Outro Ponto de Vista…

Já começa a cansar que tantos falem em nome do povo, realidade abstrata com contornos subjetivos e vontades tão particulares que qualquer dia não sabemos o que dizer da vontade popular manifestada nos votos. Sabemos que o atual regime democrático tem imensos defeitos, mas tem a qualidade de só nos governar quem a maioria do povo quer.

Acácio de Brito
2 Nov 2012

Vem isto a propósito da manifestação anteontem realizada em frente à Assembleia da República onde um conjunto de pessoas exaltadas, acompanhados pelos sindicalistas do costume, berrava que eles sim eram o povo!
Qual povo?
Ao que eu pertenço, não!
Ao que se manifesta democraticamente nas urnas, também não!
Então a quem se referiam os ditos protestantes de serviço?
À tal entidade que não existe.
A que nunca mereceu no sufrágio universal, com menor ou maior abstenção, mas com validade democrática, não mais que um décimo do que se livremente exprimiu.
Que grandes democratas nos saíram estes rapazes!
Valem como animação, mas sai-nos caro e a todos os contribuintes.
A perturbação que causam deveria ter consequências diferentes, nomeadamente, mandá-los para os areópagos do Norte da Coreia ou mesmo para os ares cálidos da ilha do democrata Fidel, não seria mal pensado!
E manifestavam-se, porquê?
Por causa dos direitos plasmados em texto constitucional e que, por força do estado de bancarrota que nos encontramos, não são exequíveis!
Tudo grátis, proclamam os entendidos nas lides sindicais e pseudodemocráticas!
O problema é que, como estamos a viver, por força do estado de bancarrota, com ajuda externa, a consequência é que não produzindo para os direitos adquiridos, só nos resta, infelizmente, alterar comportamentos.
Verdade de La Palice, habituamo-nos a levar vida de europeu nórdico nos gastos, mas com rendimentos e produção norte africana.
Consequência desta última década de festança, o momento de austeridade que somos obrigados a vivenciar e obrigados a uma carga fiscal, confisco mesmo, próprio de terras prussianas.
Que o Orçamento de Estado agora objeto de aprovação pela atual maioria foi obrigado a considerar, com uma votação negativa de quem foi um dos responsáveis pela atual situação de caos económico, financeiro e social que quotidianamente vivenciamos, o Partido Socialista!
E que deve por isso, obrigar-nos a uma reflexão séria: que Estado queremos, que desmandos, ainda, somos obrigados a tolerar em nome de uma visão retrógrada, como aquela que se encontra, ainda, plasmada no texto constitucional. Que para memória futura nasceu num tempo, esquisitamente pouco democrático, com cercos também dos “democratas da cintura industrial de Lisboa”.
É bom ter memória, é tempo de ser consequente!
Finalmente, no momento de passagem de testemunho, na direção do Diário do Minho, uma palavra de agradecimento ao Doutor Silva Pereira e, também, os votos de felicidades pessoais e profissionais ao novo Diretor, Damião Pereira, ilustre jornalista e estimado amigo.




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